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30 outubro 2015

Tendências Sexuais e Espiritismo

por H. Thiesen 

Múltiplas experiências humanas reencarnatórias, o espírito ora transitando pelo sexo feminino e ora pelo masculino, proporcionam ao espírito tendências sexuais, sejam femininas ou masculinas. Reencarnado com ambas polaridades e, muitas vezes contrariado, aos impositivos da sua anatomia genital e da educação sexual que acolhe em seu ambiente familiar, social e cultural, tenderá para qualquer das duas opções e o fará nem sempre de acordo com sua aspiração interior, que poderá ser inverso ao que determina o meio.
O Espírito Emmanuel ensina no livro “Vida e Sexo” que o “espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas.” 
Há vários fatores educacionais que contribuem para despertar no indivíduo as tendências depositadas no seu inconsciente, ainda que desempenhe papéis de acordo com a sua anatomia genital e que seu psiquismo se constitua de acordo com sua opção sexual, poderá ocorrer que se desperte com desejos de ter experiências afetivas com pessoas do mesmo sexo. Tal fato poderá lhe tumultuar a consciência caracterizando transtornos psíquico-emocionais.
A vivência do espírito no sexo oposto, ao que adotou, em cada encarnação, bem como nas encarnações nas quais exerceu sua opção sexual, irão moldar no seu psiquismo as tendências de cada polaridade. Explica Emmanuel, que "a homossexualidade e também a transexualidade,  não encontram explicação fundamentada nos estudos psicológicos que tratam do assunto nas bases materialistas, mas é perfeitamente compreensível, à luz da reencarnação.”
Em O Livro dos Espíritos, questão 202, Allan Kardec pergunta aos Espíritos e esses esclarecem:
Quando errante, que prefere o Espírito: encarnar no corpo de um homem, ou no de uma mulher?
- Isso pouco lhe importa, o que o guia na escolha são as provas por que haja de passar.
 A genética procura encontrar genes que explicariam a homossexualidade, A psiquiatria procura por enzimas cerebrais que poderiam explicar ou influenciar no comportamento sexual.Porém a sexualidade real não se encontra no corpo, mas na complexidade do espírito. É assim que devemos encarar as questões pertinentes ao sexo. A coletividade humana ainda aprenderá, que compreender os conceitos de normalidade e de anormalidade deixa a desejar quando se trata apenas de sinais morfológicos.
Não podemos confundir homossexualismo, bissexualismo e transexualismo com desvios de caráter, pois os deslizes sexuais de qualquer tendência têm procedências diversas, por que suas raízes podem vir das profundidades íntimas insondáveis e até na Natureza, apresenta-se em enorme variação, começando pela autogênese (geração espontânea) dos vírus e das células, passando pela bissexualidade dos seres hermafroditas, o que para alguns pesquisadores justifica o aparecimento de desvios sexuais congênitos.
Com a atual liberação sexual na sociedade e a ascensão do sexo, a tolerância às outras vias e tendências sexuais aumentaram, permitindo que pessoas que viviam no anonimato se expressem naturalmente. Sobre esse tema Chico Xavier explicava de forma clara: “Não vejo motivo para críticas destrutivas e sarcasmos incompreensíveis para com nossos irmãos e irmãs portadores de tendências homossexuais, a nosso ver, claramente iguais as tendências heterossexuais que assinalam a maioria das criaturas humanas. Em minhas noções de dignidade do espírito, não consigo entender porque razão esse ou aquele preconceito social impedirá certo número de pessoas de trabalhar e de serem úteis a vida comunitária, unicamente pelo fato de haverem trazido do berço características psicológicas e fisiológicas diferentes da maioria. (…)Nunca vi mães e pais, conscientes da elevada missão que a Divina Providencia lhes delega, desprezarem um filho porque haja nascido cego ou mutilado. Seria humana e justa nossa conduta em padrões de menosprezo e desconsideração, perante nossos irmãos que nascem com dificuldades psicológicas?”( )
A Doutrina Espírita é libertadora e não impõe axiomas ou postulados ao seus seguidores, tornando-os infelizes ou sentenciando-se uma culpa. A energia sexual necessita de equilíbrio e não abuso ou repressão. A Doutrina Espírita não condena, mas recomenda respeito, fraternidade e compreensão para com os que possuem preferências homoafetivas. Muitas vezes pode até ser alguém fustigado por um apelo permissivo de erotismo, junto ao seu psiquismo movido pela motivação inconsciente à depravação, que podem estar perturbando seu projeto de edificação, através de uma conduta sexual adequada e, por isso mesmo, não pode ser discriminado e repudiado, sob pena de retirar-lhe as oportunidades de regeneração, pois, como orientou Jesus: “Aquele não tiver pecados, que atire a primeira pedra!”
Como já observado acima, segundo Emmanuel, não existe masculinidade plena e nem plena feminilidade em nosso Orbe. Tanto um sexo, como o outro, possuem algo de viril e feminil. Anteriormente como a educação era muito rígida e repressiva, era costume enquadrar os indivíduos em condição ambissexual (hermafroditismo) conforme a aparência sexual predominante, o que não determinava a sua sexualidade de fato, denotando em grandes problemas psicológicos e sociais para tais indivíduos, contrariando-lhe as verdadeiras aspirações.
Assumir a homossexualidade não deve significar um desafio ao grupo de relacionamento familiar, social ou profissional, mas um exercício de autoaceitação para poder reconhecer a si mesmo, perante o círculo de amigos e parentes, que vive uma situação conflitante. O verdadeiro desafio é a edificação íntima para superar os próprios conflitos e desejos, não só os sexuais, mas toda a espécie de desejos que comandam a vida de cada um de nós.
Retomando as palavras de Emmanuel: O mundo vê, na atualidade, em todos os países, extensas comunidades de irmãos em experiência dessa espécie, somando milhões de homens e mulheres, solicitando atenção e respeito, em pé de igualdade devidos às criaturas heterossexuais.
O homossexualismo não deve ser classificado como uma psicopatia ou comportamento merecedor de discriminação ou medidas repressivas, indivíduos em tais tendências, devem ser merecedores de toda a nossa compreensão e ajuda, para que possa vencer sua luta de adaptação ao novo sexo adquirido com o renascimento.
Para a maioria dos cristão, a união estável ou casamento entre pessoas do mesmo sexo, é uma questão muitíssimo controvertida, diante da visão preconceituosa da esmagadora maioria supostamente “puros”, é uma blasfêmia, o que torna o tema complexo e aberto para discussões. Porém, tendo-se como alicerce as opiniões, como de Chico Xavier, a união estável (casamento) entre homossexuais é perfeitamente normal.
Somente podemos entender melhor a questão se estivermos livres dos conceitos que nos acompanham há muitos milênios ou preconceitos, como queiram. Não é forçoso afirmar, que a legalização do casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, é um avanço social e que apenas regulamenta o que existe de fato.
Sobre o mesmo assunto, Allan Kardec, Codificador da Doutrina Espírita formulou a Questão 695, em O Livro dos Espíritos e indagou os "Espíritos! com as seguintes palavras:
- O casamento, quer dizer, a união permanente de dois seres, é contrário a lei natural? Os orientadores dos fundamentos da Doutrina Espírita responderam com a seguinte afirmação:
- É um progresso na marcha da humanidade.
Tanto homossexuais e heterossexuais devem buscar a sua reforma íntima, não cedendo aos apelos e impulsos instintivos e sensuais. O que é ilícito ao homossexual, também é ao heterossexual, ambos precisam “discernir que o sexo é uma sede de energias superiores, concedidas para equilibrar as atividades psicosomáticas, sentindo-se no dever de resguardar-se dos desvios capaz de corrompê-las e, que a atividade sexual é uma fonte de bênçãos renovadoras do corpo e da alma. Em outras palavras, sexo é para sublimação e não para corrompimento.
É necessário reconhecer que ao serem identificadas as diversas tendências sexuais das pessoas nesse mundo de prova ou de expiação, é imprescindível lhes oferecer amparo, nas mesmas condições que à maioria heterossexual da sociedade.
Por fim, que estas idéias possam levar, a quantos as lerem, à meditação em definitivo, sobre esse assunto, lembrando que o homossexualismo ultrapassa a questão da simples atividade sexual.

17 agosto 2015

Há Muitas Moradas!

por H. Thiesen 

Uma das perguntas que todos se fazem, sejamos ateus, cristão, islâmicos, budistas, hinduísta ou qualquer outra crença é: - Existe vida depois da morte ou, o que acontece depois da morte?
Parece uma questão contraditória, pois morte é o final para qualquer ser vivo.
A morte é um processo natural, tanto e quanto nascer e crescer, faz parte do ciclo da vida e acontece com o envelhecimento do ser vivo e se processa nos vegetais, animais e no homem. O processo morte pode também ser acelerado em consequência de doença, acidente, violência e de catástrofes naturais ou em caso de suicídio.
A morte trás à tona o temor do desconhecido, como parte do ser humano pelo seu instinto de preservação e sobrevivência e geralmente está envolvida em mistérios, desta forma é perfeitamente compreensível o sentimento de medo quanto a ela.
Há milhares de anos o ser humano se pergunta do porquê da morte, tentando decifrar as suas razões e o que há por trás dela. Esta preocupação tem sido marcante nas tradições religiosas e na teses filosóficas, o que leva a crer que a morte faz parte da vertente psicológica humana.
Conforme a morte é entendida, dependendo da visão religiosa, do aspecto social e do grupo humano, ela pode ser compreendida desde o "fim de tudo" ao processo de reencarnação, passando pelo culto à ancestrais, ressurreição, longos períodos de sono e longa espera por um Juízo Final.
Estas diversas forma de entender a morte, influenciam a vida, os grupos sociais e o mundo, pois na maioria das crenças e mitologias a respeito dela, não aparece como um processo natural, mas como um elemento estranho ao homem, devido as referencias de um paraíso, onde ela não se fazia presente e que surgiu como resultado de um possível castigo, a um possível pecado original.
Sendo assim, é natural que o homem busque um abrigo ou uma proteção, a fim de proteger-se desse desconhecido e provavelmente perigoso destino, levando ela a procurar o seio das religiões.
Levando-se em consideração os numero atuais, a humanidade divide-se em três grandes grupos, conforme as suas crenças a respeito da morte: Aqueles que acreditam que a morte é o fim de tudo, os que veem nela a possibilidade de "uma" Vida Eterna e os que creem em vidas sucessivas ou processos reencarnatórios.
De uma maneira geral, as religiões são capazes de explicar o que acontece depois da morte, dependendo da fé falam de uma nova vida um reino espiritual, podendo ser ele definitivo ou transitório, o primeiro faz ressalvas à condenação ou vida eterna e o segundo relata uma preparação, para novos renascimentos e cumprimento de obrigações cármicas. Vemos aí, os conceitos de Céu (salvação) e Inferno (condenação) e de outro lado o de Reencarnação.
No Ocidente os conceitos católicos se fazem mais presentes, a Bíblia relata apenas uma vida corpórea e as possibilidades de salvação ou condenação e em algumas passagens, revela que a porta para a Vida Eterna está aberta para todos, basta viver de maneira correta, seguindo os princípios dos ensinamentos e o exemplo de Jesus e acima de tudo crer nEle. Resumidamente, o homem vive apenas uma vez e ao morrer é julgado conforme suas ações, atitudes e pensamentos, se tiver pecados, poderá receber o perdão de Deus e ir para o Céu, caso contrário irá para o inferno. Há ainda no catolicismo a crença do purgatório, para onde alguns são enviados a fim de obterem uma segunda chance e um possível perdão, depois de algum tempo.
Conforme o Espiritismo, a morte é uma passagem para o plano espiritual, onde o indivíduo é avaliado conforme a sua última existência corpórea e analisado se cumpriu as metas que lhe foram atribuídas com base em encarnações anteriores  e assim, receberá uma nova oportunidade reencarnatória, mas antes disso será preparado para assumir uma nova vida terrena, assim terá novas oportunidades para corrigir defeitos, concertar o erros e evoluir.
Portanto, as diversas culturas podem classificar a morte de maneiras distintas e desde a antiguidade os mitos sobre a morte se fazem presentes na humanidade.
É ponto de concordância que todos os povos possuem a crença de um mundo no além morte e paralelo ao mundo físico, habitados por deuses, espíritos ou seres sobrenaturais. assim era o Olimpo na Grécia, o Asgard dos Vikings, o Nut e o Amant dos Egípcios.
Atualmente o Céu, o Inferno na maioria das religiões, principalmente para o catolicismo e o islamismo, são os conceitos mais utilizados para definir o destino depois da morte e conforme a Bíblia, segundo Jesus no Evangelho de João: - Há muitas moradas na casa de meu Pai!
Como uma terceira via, surgiu em meados de 1850 o Espiritismo, trazendo o conceito de diversas moradas espirituais, traduzidas por mundos extra-terrenos, mundos inferiores, mundos transitórios, mundos superiores, cidades, colônias e casas, para onde são levados os espíritos de desencarnados, seguindo a compatibilidade de suas energias e faixas vibratórias. Desta forma, mais do que o cristianismo ortodoxo, o Espiritismo é capaz de explicar de uma forma mais apurada, a frase de Jesus, citada anteriormente.
Necessário é, abrir-se um parenteses e traçar uma diferença entre morte e desencarne. A morte, em termos biológicos, é a cessação da atividade vitais do corpo de um ser vivo. O desencarne, em termo espirituais, é o abando do corpo físico pelo espírito que o habitava.
Vemos que há no mundo formas diversíficadas de enxergar a morte e delas depende a sua aceitação pelo ser humano.
Algum tempo atrás, assisti um documentário que procurava demonstrar as origens do universo. O documentário traçava de maneira regressiva, dos dias de hoje ao Big Bang, como surgiu o Universo. Dizia ele que o princípio de tudo, falando leigamente, foi a explosão de uma partícula de energia, a qual começou a se expandir. Indo mais além, ou seja antes do Big Bang, o documentário concluía que para haver uma explosão, deveria haver uma causa, pois a Física exige isso. Foi relatado então, uma das mais novas descobertas da ciência, vulgarmente chamada de Partícula de Deus ou Bóson de Higgs, conhecida também como anti-matéria ou matéria negativa. Porém se uma entrar em contato com a outra, se consomem mutuamente, mas isso não acontece significativamente no Universo, por que a matéria positiva possui uma carga infimamente superior e que lhe trás uma maior estabilidade sobre a matéria negativa.
Explicando melhor e em termo mais claros, tudo o que existe é matéria positiva, originado da matéria negativa. Exemplificando grosseiramente, ao cavarmos um terreno plano, de um lado fazemos um buraco e do outro um morro com a terra que tiramos dele, porém a compactação do morro nunca será igual a do terreno que o originou.
As Ciências desvendaram praticamente tudo o que existe no nosso Universo, ou seja, sabemos tudo sobre o  "morro", sobre tudo o que é criado com a matéria positiva. Mas falta a ela desvendar o que é essa novíssima matéria negativa. Sabemos agora que ela existe e até já a usamos em aparelhos de Tomografia de última geração, como o PET SCAN, mas o que é, o que ela comporta, como ela é e por que ela existe, o que há dentro do buraco?
Talvez seja essa a matéria do lado de lá e o que realmente existe do lado além-morte e por que não pensar que finalmente a ciência começou a descobrir uma das muitas moradas na casa de meu Pai!

04 fevereiro 2013

Desercarne e Provação Coletiva


por Lena Lopez 

A morte é difícil de ser enfrentada, pois é vista como mistério, muitas vezes como um equívoco ou injustiça de Deus. Todos nós temos compromissos perante as Lei que regem o Universo.
Quando alguém morre, nos sentimos tomados por um sentimento de perda e dor, pois gostamos daquele pessoa que nos deixou e desejávamos que continuasse vivendo conosco. Porém, a morte, juntamente com o nascimento, é a única coisa certa na vida, nascemos e um dia morreremos. Além disso, a morte está entre os acontecimentos normais da existência de todos, partem jovens e velhos, sadios e enfermos, justos e injustos. 
Somos criados para o entendimento da morte, conforme o nosso entendimento religioso, acreditamos na morte como uma separação definitiva e dolorosa e um possível destino, mal ou bom, para quem partiu e a partir disso envolvemo-la em mistérios, dor e dúvidas, pois acreditamos que vivemos uma única vez.
A morte deve ser tratada como natural e antes de ser um fim, um novo recomeço e uma volta aos laços de origem, desse modo, nos tornamos capazes de entender que a morte, é o encerramento de uma missão, de um aprendizado e que outras oportunidades virão, novas missões, novos aprendizados. Começamos a entender que aquela pessoa que partiu, terminou a sua missão conosco, que é chegada a hora de prosseguirmos sozinhos, pois isto nos é necessário. 
Por outro lado, a Lei de Causa e Efeito, rege a vida e a morte de maneira sublime, sem deixar rastros à injustiça e dá a cada um o que lhe é de necessidade e merecimento, na medida certa para o seu aprendizado. Nesse sentido, a morte torna-se uma lição, tanto para os que se vão e para os que ficam.
As grandes comoções que ocorrem na vida trazem sempre enormes perguntas, por parte daqueles que desconhecem a “Lei de Causa e Efeito” e as possibilidades de vidas sucessivas. Por isto, nos momentos de dor, confusão mental e de dúvidas terríveis, questiona-se o próprio Criador: Por que Ele permitiu uma coisa dessas?
Esses acontecimentos, chamados catástrofes ou tragédias, como por exemplo, acidentes aéreos, marítimos, rodoviários, ferroviários ou incêndios, atos terroristas, que ocorrem e vitimam uma quantidade ou grupo de pessoas, muitas delas sem se conhecerem entre si, com famílias inteiras, uma cidade inteira ou até em uma nação, não são punições divinas. Muitas vezes sabemos que em eventos assim, há pessoas de longe, que não deveriam estar naquele lugar, mas estavam no lugar errado e na hora errada. Vemos, ouvimos e sabemos, que muitos sucumbiram, que muitos foram capazes de atos heroicos e como heróis se juntaram ao que sucumbiram no evento, outros estavam naquele lugar para se salvarem e para salvarem vidas. Damos o nome a isso de destino e fatalidade, seja qual for a razão que originou o evento. Não se pode negar que possa haver a fatalidade, pois ela também acontece algumas vezes.  No entanto, ao que se refere à mortes em grande número, em um mesmo evento, isso não é o mais comum. Geralmente são resgates coletivos que várias pessoas, juntas, precisam passar, tanto as que morreram ou as que sobreviveram a ele.
Se analisarmos esses fatos unicamente pelas causas humanas, poder-se-ia chegar à conclusão da má sorte ou azar. Entretanto, quando se compreende que no evento se agrega a lei de causa e efeito e o princípio das vidas sucessivas, tudo toma um outro sentido, passamos a entender que nessas mortes em grande número, há um encontro marcado de Espíritos que foram protagonistas de equívocos em outras passagens e que na atual estada na Terra, estão zerando as suas pendências.
Toda ação que praticamos, boa ou má, recebemo-la de volta. O passado é a origem do nosso presente, ou seja, o que somos hoje é um reflexo do fomos ontem.Se o pensamento vale individualmente, por que não valeria coletivamente? A isto, damos o nome de provação coletiva.
A provação coletiva é a convocação de Espíritos encarnados no instante de uma tragédia ou catástrofe, participantes de mesmo delito ou semelhantes, praticados no passado longínquo. Pode-se citar como exemplos de delitos, as Cruzadas, a Inquisição, as Guerras, os extermínios em massa, os atentados terroristas e outros, uma enormidade de violências e absurdos praticados contra o ser humano, em que todos os participantes se envolveram e somente se livram das suas dívidas e responsabilidades, quitando-as.
Mas por que só agora, numa data tão distante? Perguntarão muitos. Simplesmente por que, como Espíritos em aprendizado, vamos adiando por várias encarnações as expiações, até que haja o entendimento necessário à respeito da importância desse tipo de resgate. Muitas vezes, quando há a compreensão, o próprio Espírito errante pede permissão para cumprir o que é necessário para seu adiantamento.
O importante é que o próprio Espírito assume, antes de reencarnar, um compromisso com o propósito de resgatar seus débitos. André Luiz, no livro Ação e Reação, deixa claro: “Nós mesmos é que criamos o carma e este gera o determinismo”.
Durante a hora do desencarne coletivo, a Espiritualidade Superior, com o conhecimento prévio dos fatos, providencia equipes de socorro para a assistência aos Espíritos que retornarão ao plano espiritual, dando-lhes a assistência imediata e confortadora, pois mesmo que o desencarne coletivo ocorra identicamente para todos, individualmente, a situação dos traumas e do despertar no plano espiritual, dependerá da evolução de cada um, mas nenhum fica sem amparo.
Há aqueles que escapam minutos antes dos eventos coletivos, por não precisarem passar por essa situação.   É por isso que muitos perdem o avião, o trem, o ônibus, ou por outro motivo qualquer não estavam presentes. Há aqueles que estavam presentes no evento, mas escapam "ilesos", pois necessitavam passar pela lição e repensarem. Há aqueles que estavam presente e escaparam com inúmeros ferimentos, quase ficaram à beira da morte, suas lições para repensarem necessitavam de maiores enfases.
Não cai uma só folha da árvore sem que Deus saiba! Daqui não sairás até que pagueis o último cetil! Com certeza, as mortes coletivas é generosidade de Deus para com seus filhos, pois permite-lhes o melhoramento e aperfeiçoamento através de sua renúncias e experiências na Terra, dando-lhes oportunidade para o aprendizado necessário.

12 dezembro 2012

Vicios

Geralmente conhecemos os vícios como motivos de prazer, alegria e desejo mas atrás disso se esconde algo importante que deve ser levado em consideração, a influência enganosa. As propagandas, comerciais e campanha publicitárias, procuram associar os  hábito de beber e fumar à uma gama positiva de ações, como esporte, aventuras, namoro e tantas outras atividades prazerosas, tornando-os aprazível ao consumo e, ainda o consumo de drogas ilícitas, que aumenta dia após dias.
O vício pode ser entendido como um impulso em busca de satisfação, através de substâncias que atuam no organismo, ao ponto de provocar estados de euforia, autoconfiança, sensações de prazer, etc.
Espiritualmente, os vícios resulsão processos complexos registrados no perispírito, que repercutem de forma física, psíquica e espiritual na vida atual e na vida futura, depois da morte do corpo físico, tanto no espaço intra-vidas, como encarnações posteriores, sendo uma das razões de possíveis doenças cármicas.
No livro "Joana de Angelis Responde", psicografia de Divaldo Franco, capítulo 14, a benfeitora esclarece:
  • "Além das conjunturas meramente psicofisiológicas, merece considerar-se que, em toda dependência viciosa, há sempre uma lancinante força obsessiva, mediante a qual seres pervertidos e viciados que viveram na Terra e se equivocaram, por processo natural de sintonia, imantam-se às criaturas humanas, às vezes sendo a causa do mal, e em circunstâncias outras - o que é mais comum - dependentes também da falsa necessidade de que padece o homem".
Nestes casos, é necessário o tratamento espiritual e realizado juntamente com o  tratamento convencional, acrescentado dos recursos do passe magnético, da água fluidificada e da desobsessão.
A respeito do assunto, André Luiz afirma no livro "No Mundo Maior" que:
  • "A medicina inventará mil modos de auxiliar o corpo atingido em seu equilíbrio interno; por essa tarefa edificante, ela nos merecerá sempre sincera admiração e amor, entretanto, cumpre a nós outros praticar a medicina da alma, que ampare o espírito enleado nas sombras".
Entretanto, devemos nos atentar aos vícios morais. O ciúme, a inveja, a vaidade, a cupidez, o personalismo, a luxúria, a ira, a maledicência são, em última instância, conseqüência de nosso orgulho e egoísmo. Juntos formam os principais vívios e chagas da sociedade, que somente podem ser vencidas se os valores morais, sobrepuserem aos interesses materiais. 
Questionados por Allan Kardec sobre o maior obstáculo ao progresso, os Espíritos Superiores foram extremamente claros e direto:
  • "o orgulho e o egoísmo" (questão 785 de'O Livro dos Espíritos).
  • "no fundo de todos há egoísmo (...) Daí deriva todo mal" (questão 913 de O Livro dos Espíritos).


08 abril 2011

ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita

Fonte: Conselho Espírita Internacional

Os programas de dedicados ao Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita procuram favorecer o estudo regular e metódico do Espiritismo. Trata-se de reuniões privativas de pequenos grupos, que seguem um roteiro previamente estabelecido.
Alan Kardec, codificador da Doutrina, já alertava à importância de um estudo como este no Projeto 1868, em ‘Obras Póstumas’:
"Um curso regular de Espiritismo seria professado com o fim de desenvolver os princípios da ciência e de difundir o gosto pelos estudos sérios. Esse curso teria a vantagem de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as idéias espíritas e de desenvolver grande número de médiuns. Considero esse curso como de natureza a exercer capital influência sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas conseqüências".
Caminho ideal, segundo Kardec, para fugir de interpretações particulares decorrentes muitas vezes do desconhecimento ou da análise superficial dos postulados básicos da Doutrina, e buscar o verdadeiro esclarecimento.
É através dos programas de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita que grande número de pessoas vem tomando conhecimento mais aprofundado e correto do Espiritismo, obtendo consolo e esclarecimentos sobre a vida. E as Casas Espíritas vem formando novos trabalhadores, conscientes e preparados para as múltiplas tarefas importantes para a Instituição Espírita.




16 março 2010

AS LEI DIVINAS OU NATURAIS


"(...) A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta."
Todos os fenômenos, físicos e espirituais, são regidos por leis soberanamente justas e sábias no nosso mundo, fora dele e em todo o Universo.
Essas leis, reunidas, integram o que conhecemos como Lei Divina ou Natural. Esta Lei é "(...) Eterna e imutável como o próprio Deus."
Através de uma análise superficial supomos, às vezes, que a Lei de Deus sofre transformações, que ela é mutável. Na realidade, porém, as leis humanas é que são imperfeitas e passíveis de modificações por força do progresso.
À medida que os seres humanos evoluem, quer moralmente, quer intelectualmente, compreendem melhor a Lei de Deus e passam a reformular antigos conceitos; para isso, fazem-se necessárias inúmeras existências corporais, até que, chegando à categoria de Espíritos Superiores, "(...) em si reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade (...)" ou à de Espíritos Puros, quando adquirem "(...) superioridade intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens."
A Lei Divina ou Natural abrange dois tipos principais de leis: as que "(...) regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da ciência.
As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contém as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais."
Apesar de a Lei de Deus compreender tudo que existe na criação, a maioria dos homens, no estágio evolutivo em que nos encontramos, não a conhecem bem. Em todas as épocas da história humana tem Deus enviado ao nosso planeta Espíritos-Missionários, nas diversas áreas do saber, para no-la ensinar.
"Desde os tempos imemoriais, a Ciência vem se dedicando exclusivamente ao estudo dos fenômenos do mundo físico, suscetíveis de serem examinados pela observação e experimentação, deixando a cargo da Religião o trato das questões metafísicas ou espirituais. (...)"
Com o progresso intelectual que vem ocorrendo intensivamente nestes últimos tempos, nota-se um distanciamento pronunciado entre a ciência e a Religião; fato que não deveria ocorrer, porque ambos são expressões da Lei Divina, à qual estamos submetidos.
"(...) Quanto mais o homem desenvolve suas faculdades intelectuais e aprimora suas percepções espirituais, tanto mais vai-se inteirando de que o mundo material, esfera de ação da Ciência, e a ordem moral, objeto especulativo da Religião, guardam íntimas e profundas relações entre si, concorrendo, uma e outra, para a harmonia universal, mercê das leis sábias, eternas e imutáveis que os regem, como sábio, eterno e imutável é o Seu Legislador. (...)"

CONHECIMENTO DAS LEIS DIVINAS - 1ª Parte


O conhecimento da Lei Divina ou Natural faz parte do progresso espiritual do homem, que ocorrerá após incontáveis reencarnações; em uma só existência é totalmente impossível tal aprendizado.
Por outro lado, não basta que apenas nos informemos a respeito da Lei Divina. É necessário que a compreendamos no seu verdadeiro sentido, para que possamos observá-la. "(...) Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é o progresso se efetue.
A justiça das diversas encarnações do homem é uma conseqüência deste princípio, pois que, em cada nova existência, sua inteligência se acha mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é bem e o que é mal. (...)"
"(...) A verdade (...), para que seja útil, precisa ser revelada de conformidade com o grau de entendimento de cada um de nós. Daí não ter sido posta (a verdade) sempre ao alcance de todos, igualmente dosada. (...)
Kardec, instruído pelas Vozes do Alto, diz-nos, em todas as épocas e em todos os quadrantes da terra, sempre houve homens de bem (profetas) inspirados por Deus para auxiliarem a marcha evolutiva da Humanidade. (...)"
Os "profetas, legisladores e sábios têm sido os maleáveis instrumentos de que se utilizou o Pai Amantíssimo, através dos tempos, a fim de que o homem, no ergástulo (*) carnal, pudesse encontrar a rota segura para atingir o reino venturoso que o espera.
Dentre todos, porém, foi Jesus o protótipo da misericórdia divina, "o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo. (...)
Modelo a ser seguido, ensinou pelo exemplo e pelo sacrifício, selando em testemunho supremo a excelência do seu messianato amoroso, através da doação da vida, incitando-nos a incorporar no dia-a-dia da existência a irrecusável lição do seu auto-ofertório santificante. (...)"
Esses profetas, sábios e legisladores que Deus enviou (e envia) à Terra "são Espíritos Superiores, que encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade." São Espíritos missionários que podem até falir, na missão que abraçaram, por força da influência da matéria. "(...) Todavia, como eram, afinal, homens de gênio, mesmo entre erros que ensinaram, grandes verdades muitas vezes se encontram." No entanto, vale a pena considerar que grandes missões são confiadas a Espíritos para os quais a possibilidade de falência é muito reduzida. São Espíritos que já possuem uma certa bagagem espiritual, que vivenciaram inúmeras experiências e que, ao se comprometerem com tal ou qual tarefa para ela se preparam conscienciosamente antes de mergulharem na existência corporal. "(...) Por isso, para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados, que fizeram suas provas noutras existências, visto que, se não fossem superiores ao meio em que têm de atuar nula lhes resultaria a ação.
Isto posto, haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar, pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras, a missão de que se diz portador. Tirai também esta outra conseqüência: se, pelo seu caráter, pelas suas virtudes, pela sua inteligência, ele se mostra abaixo do papel com que se apresente, ou da personagem sob cujo nome se coloca, mais não é do que um histrião (*) de baixo estofo, que nem sequer sabe imitar o modelo que escolheu.
Outra consideração: os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chamados pela força do gênio que possuem, secundado pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado, mas sem desígnio premeditado. Numa palavra: os verdadeiros profetas se revelam por seus atos, são adivinhados, ao passo que os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto, o segundo, orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes (*), parece sempre temeroso de que não lhe dêem crédito. (...)"
As leis morais, são uma subdivisão da Lei Divina ou Natural. "São de todos os tempos as leis morais da vida, estabelecidas pelo Supremo Pai.
Invioláveis, constituem o roteiro de felicidade pelo rumo evolutivo, impondo-se, paulatinamente, à inteligência humana, achando-se estabelecidas nas bases da harmonia perfeita em que se equilibra a Criação. (...)"
As lei morais, que a Codificação Kardequiana expressa, são as seguintes: "(...) leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a justiça, amor e caridade. (...)
A última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras."
*GLOSSÁRIO
ERGÁSTULO - Cárcere, prisão, masmorra.
HISTRIÃO - Bobo, saltimbanco. Palhaço, homem vil que se expõe em público de modo grosseiro e ridículo.
MENDAZES - Mentirosos, falsos.

CONHECIMENTO DAS LEIS DIVINAS - 2ª Parte


A Lei Natural é a Lei Divina que rege toda a criação no Cosmo Infinito, nos seus múltiplos e diversificados planos, sendo ela substancialmente verdadeira e eficaz, por ser a única que conduz a criatura para o aperfeiçoamento e a felicidade.
A desventura humana é, portanto, um desvio ou infração dessa lei. As leis naturais significam a projeção do Pensamento Divino e a expressão fidedigna de sua vontade, consistindo sempre num preceito normativo que regula todos os fenômenos da vida universal.
As leis naturais são eternas, imutáveis, infalíveis, abrangendo os mais variáveis planos evolutivos da vida, de acordo com as diversas categorias dos mundos.
As leis naturais, como se sabe, dividem-se em leis físicas e leis morais. As primeiras disciplinam os fenômenos da matéria, em seus diversos estados, e são estudadas pela ciência. As segundas regem as relações da criatura com os seus semelhantes e demais seres da natureza.
O conhecimento da Lei Natural é dado à Humanidade de uma forma gradual, porém, de maneira constante, através de Espíritos colocados na conta de filósofos ou benfeitores humanos, os quais reencarnam na categoria de autênticos catalisadores de idéias e pensamentos para promoverem as reformas nos diversos campos do conhecimento.
Os Espíritos que aportam no seio da sociedade com esses valores são chamados reveladores da Lei Natural.
O maior e mais perfeito revelador que desceu ao nosso planeta foi Jesus Cristo, embora sua missão divina transcenda a de um simples revelador. Na qualidade de Governador Espiritual da Terra "(...) o Cristo vinha trazer ao mundo os fundamentos eternos da verdade e do amor. (...) Combateu pacificamente todas as violências do judaísmo, renovando a Lei antiga com a doutrina do esclarecimento, da tolerância e do perdão (...). Sua palavra profunda, enérgica e misericordiosa, refundiu todas as filosofias, aclarou o caminho das ciências e já teria irmanado todas as religiões da Terra, se a impiedade dos homens não fizesse valer o peso da iniquidade na balança da redenção."
Em todas as épocas da Humanidade existiram reveladores da Lei Divina nos diversos campos do conhecimento humano. Citaremos, a seguir, alguns, na tentativa de exemplificar a bondade e a misericórdia de Deus, que nunca nos deixou à mercê de nossas imperfeições.
No antigo Egito, perto de Mênfis, nos anos 2980 a 2950 a. C, viveu um erudito egípcio chamado Imotep. "Imotep é motável por haver sido o primeiro exemplo histórico, conhecido pelo nome, daquele que hoje conhecemos por cientista. E nenhum outro se conhece ao longo dos dois séculos que se lhe seguiram. (...)"
Imotep teria sido o arquiteto construtor da pirâmide de degraus ou de Sacará, que é a mais antiga do Egito. Provavelmente foi médico; "(...) os médicos egípcios gozavam de grande prestígio, já que sua ciência os colocava quase em igualdade com os próprios deuses. (...)" Tamanho era o poder de cura de Imotep, que os gregos o igualavam ao seu próprio deus da Medicina.
Tales de Mileto, filósofo grego, que viveu entre 624 a 546 a. C, foi considerado, pelos gregos, "(...) como fundador da Ciência, da Matemática e da Filosofia gregas, creditando-lhe a paternidade da maior parte do saber. (...)"
Pitágoras, outro grego, viveu no período de 582 a 497 a. C, "foi filósofo, astrônomo, matemático. Em todas essas atividades, apresentou sempre idéias novas, claras, originais. Foi o primeiro a afirmar que a Terra era esférica, o primeiro a descobrir que a harmonia universal também podia ser expressa através de números, o primeiro a descobrir a relação entre o comprimento das cordas musicais e a altura do som."
Sócrates, filósofo grego, viveu em Atenas entre os anos 470 a 399 a. C, "teve uma vida nobre como as verdades que ensinava. Nunca houve quem o pegasse em erro, falha ou contradição. (...)" Este homem - a quem todos consideravam o mais sábio dos gregos (ora, se sou o mais sábio é simplesmente porque sei que nada sei) - foi condenado a despeito de sua inocência devido às acusações de traição e corrupção que contra ele se levantaram por toda parte, estimuladas pela inveja de seus patrícios. Para nós, espíritas, Sócrates foi um dos precursores do Cristianismo.
Na era cristã, entre os anos 130 a 200, viveu Galeno, médico grego, que pelos seus conhecimentos é cognominado o pai da anatomia.
O criador da aritmética, o matemático árabe Muhammad Ibumusa Al Khwarizmi, nascido no ano 780, revolucionou a arte de calcular. Em 1473, nasce em Torun, o grande Nicolau Copérnico que "(...) chegou a perigosa conclusão de que a Terra não era o centro do Universo (...)". Isto quase o levou à morte pelos senhores da igreja católica.
Perto de Nápoles, na cidade de Nola, chega ao nosso mundo físico, no ano de 1548, o filósofo Giordano Bruno, condenado e morto pela Inquisição por defender a infinitude do espaço, os movimentos da Terra, entre outras idéias.
Avançando no tempo, em 1791, nasce em Charlestown, Estados Unidos, Samuel Finley Breese Morse, que se notabilizou pela invenção do telégrafo, assim inaugurando o campo das comunicações modernas.
Charles Robert Darwin, naturalista inglês, que viveu entre 1809 a 1822, causou grande impacto na Biologia com a sua Teoria das origens das espécies realizando estudos sobre as origens do homem.
Antes de avançarmos no tempo, é importante recordar a presença, em nosso planeta, dos gênios das artes, notadamente da pintura, da escultura e da música. Quem consegue esquecer o papel desempenhado por um Rafael Sânzio, um Leonardo da Vinci ou por um Mozart, entre tantos que vieram até nós?
No século dezenove a Ciência sofre um grande impulso, principalmente pelos trabalhos de Pasteur, Robert Koch e Lister, que abriram uma nova era no combate às infecções, as idéias filosóficas sofrem severo abalo com a Codificação Espírita, elaborada por Allan Kardec e contendo os ensinos recebidos dos Espíritos Superiores.
O mundo recebe com impacto o renascimento do cristianismo e a partir daquele momento a humanidade confundida, alertada, crédula ou incrédula, nunca mais seria a mesma. A era da espiritualização chegara! Graças àquelas primeiras sementes que foram lançadas por Moisés, na crença de um Deus único, semeadas e regadas por Jesus na sua elevada Missão de amor ao próximo e, esporadicamente cultivadas por Emissários do alto, em todos os tempos, tais como os apóstolos e seguidores do Cristianismo, Francisco de Assis, Vicente de Paula, na citação de apenas alguns nomes. Compreendemos que o homem dirige-se no encalço da sua mais alta destinação: a perfeição.
Jesus, o Cristo de Deus, porém, não pode ser nivelado entre tais reveladores, por maior que tenha sido a contribuição deles. Ele, o Cristo, estabeleceu um grandioso marco nas conquistas evolutivas do homem. Ele, a verdade e o amor encarnados, não se limitou apenas a ensinar e esclarecer, mas representou o exemplo vivo, provocando uma verdadeira revolução social. Mas, apenas dos quase que vinte séculos da sua presença entre nós, ainda não teve sua Mensagem suficientemente compreendida pela Humanidade.
Muitas das verdades anunciadas no Espiritismo encontram na Doutrina Cristã as suas bases. Por exemplo, as citações evangélicas: Há muitas moradas na Casa do Pai (João, 14:1-3), Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo (João, 3:1-12), Tudo o que vós quereis que vos façam os homens, fazei-o também a eles, porque esta é a Lei dos profetas (Mateus, 7:2), Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados (Mateus, 5:5), Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios; dai de graça o que de graça recebestes (Mateus, 10:8), etc são ensinamentos de Jesus que se correlacionam com os seguintes princípios adotados pelo Espiritismo: pluralidade dos mundos habitados, reencarnação ou pluralidade das existências corpóreas, lei de causa e efeito ou ação e reação e mediunidade.
Devido a essa correlação existente entre os ensinamentos de Jesus e os ditados pelos Espíritos que orientaram Allan Kardec na Codificação Espírita, não é em vão que se diz que o Espiritismo é o Cristianismo redivivo; e se por um lado Jesus disse ser o mandamento maior o do amor a Deus e ao próximo e a Doutrina Espírita afirma que fora da caridade não há salvação, por outro, nos mostra que ninguém poderá intitular-se espírita se primeiramente não for cristão.

12 dezembro 2007

OBSESSÃO - CONCEITO


Como conseqüência da inferioridade moral da população do nosso Planeta, são muito numerosos os Espíritos inferiores que habitam o plano dos desencarnados. A ação desses Espíritos, capazes de influenciar os nossos pensamentos e os nossos atos, constitui parte integrante das dificuldades enfrentadas pela humanidade. Um dos resultados dessa ação negativa e a obsessão, que pode ser definida como ;'(...) o domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. (...)
Em A GÊNESE, Kardec conceitua obsessão como '(...) a ação persistente que um espírito mau exerce sobre um indivíduo. (...) Essa ação pode variar desde uma simples influencia moral ate uma perturbação completa do organismo, inclusive de ordem mental. As faculdades mediúnicas, particularmente, tornam-se bastante prejudicadas pela obsessão. Os Espíritos obsessores são sempre de natureza inferior, pois os bons Espíritos não se preocupam em constranger ou dominar alguém. Os Espíritos obsessores agem, inicialmente de maneira sutil, interferindo gradativa e progressivamente na mente do Espirito encarnado, podendo atingir situações extremas de completo domínio. Essa ação pode ser reconhecida, no inicio, como uma forca psíquica interferindo nos processos mentais, uma vontade dominada por outra vontade, ou uma inquietação crescente sem motivo aparente. Da mesma forma que as enfermidades orgânicas se instalam onde existe carência nos mecanismos de defesa, a obsessão se manifesta nas mentes cujas imperfeições morais do pretérito e do presente deixam marcas profundas no Espírito. Alguns vícios, entretanto, devem ser alinhados entre os fatores que favorecem a obsessão, por se constituírem em dano para o corpo e para a mente: O alcoolismo, pelas conseqüências orgânicas, morais e sociais que acarreta, e veiculo de obsessões cruéis, permitindo a alcoólatras desencarnados, o vampirismo, com serias lesões na organização fisio-psiquica.; As drogas, atuando no sistema nervoso, permitem o ressurgimento de impressões do pretérito que, misturadas às frustrações do presente, desequilibram a emotividade, oferecendo vasto campo de atuação para os desencarnados em desespero emocional. A sexualidade desequilibrada permite a sintonização de consciências desencarnadas que vivem em indescritível aflição, e que se hospedam nas mentes encarnadas, absorvendo energias vitais e gerando obsessões degradantes. A glotoneria, a maledicência, a ira, o ciúme, a inveja, a avareza e o egoísmo, são igualmente estradas de acesso para Espíritos de inferior que num processo de sintonia. Banqueteiam-se com as nossas imperfeições, influenciando os nossos pensamentos e as nossas ações. Essa influência, não sendo combatida ou neutralizada, torna-se cada vez mais persistente, constituindo-se em processo obsessivo.

OBSESSÃO - TIPOS, CAUSAS E GRAUS

Vimos que a obsessão pode ser entendida como o domínio que alguns Espíritos de natureza inferior podem exercer sobre certas pessoas. Esse domínio apresenta graus variáveis, resultando dai, efeitos também variáveis, em grau e em complexidade. As principais variedades de obsessão são a obsessão simples, a fascinação e a subjugação. No estudo da mediunidade, Kardec conceituou, como segue, as variedades de obsessão:
Obsessão simples - verifica-se quando um Espirito moralmente inferior se impõe a um médium, intromete-se nas comunicações contra a vontade do médium, impede que este se comunique com outros Espíritos, e substitui os Espíritos que são evocados. Qualquer médium, principalmente quando lhe falta experiência, pode ser enganado por Espíritos mal intencionados. Entretanto, o que caracteriza a obsessão simples é a persistência de um Espirito em perturbar as comunicações, e a dificuldade que o médium encontra para livrar-se desse inconveniente. Fascinação - e entendida como uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium, e que inibe o seu discernimento ou a sua capacidade de Julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado, O Espírito obsessor consegue impedi-lo de reconhecer o engano, mesmo quando a mistificação é grosseira e ridícula. As conseqüências da fascinação são mais graves, uma vez que ~ obsessor dirige a vitima, fazendo-a aceitar teorias e idéias as mais absurdas. Nos casos de fascinação, os Espíritos obsessores são, geralmente, bastante espertos e ardilosos.
Subjugação - é um envolvimento que anula a vontade da pessoa -fazendo-a agir de acordo com a vontade do obsessor. O obsidiado fica subordinado a um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, a pessoa é obrigada a tomar decisões quase sempre absurdas e comprometedoras; no segundo caso, o Espirito age sobre a organização física, provocando desde movimentos involuntários simples até lesões graves no corpo do encarnado. Entendendo a obsessão como o domínio de uma mente sobre outra mente, ou seja, um processo de transmissão mental, compreender-se-á que ela pode apresentar outras características alem daquela até aqui focalizada, ou seja, a atuação de um Espírito desencarnado sobre um encarnado Existem, em grande número, pessoas obsidiando pessoas; caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem como vitimas. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão ou ânsia de poder, e é exercido, muitas vezes, de maneira tão sutil, que a pessoa dominada julga-se extremamente amada, e ate mesmo protegida. É uma obsessão de encarnado para encarnado. O marido que subjuga a esposa, a esposa que tiraniza o marido, são expressões desse tipo de obsessão.
Espíritos desencarnados também obsidiam Espíritos desencarnados; o mesmo drama de domínio de uma mente sobre outra mente desenrola-se também no plano espiritual. É a obsessão de desencarnado para desencarnado. Situações que ocorrem na erraticidade são, muitas vezes, reflexo daquelas que ocorrem na crosta terrestre, e vice-versa.
Embora possa parecer difícil, a obsessão também acontece de um Espírito encarnado para um desencarnado fato mais freqüente do que se pensa, pois muitas criaturas humanas vinculam-se, obstinadamente, aos entes amados que as precederam no túmulo. Expressões de amor egoísta e possessivo levam à fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre, não lhes permitindo o equilíbrio necessário para enfrentar a nova situação na vida espiritual. Idêntico processo verifica-se quando o sentimento que do mina o encarnado e de ódio, revolta, etc.
Finalmente, a obsessão pode assumir ainda a expressão de obsessão recíproca. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, assim também existem criaturas que permutam vibrações de natureza inferior, com as quais se comprazem. É uma espécie reciproca, que tanto pode ocorrer entre encarnados quanto entre desencarnados, ou ainda entre estes e aqueles.
AS VÁRIAS EXPRESSÕES DE UM MESMO PROBLEMA
( . . . ) existem problemas obsessivos em várias expressões, como os de um encarnado sobra outro; de um desencarnado sobro outro; de um encarnado sobre. um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele." — Manoel Philomeno de Miranda. (Sementes de Vida Eterna, Autores Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, cap. 30.)Obsessão — um problema a expressar-se de virias maneiras. Alem das relacionadas por Manoel P. de Miranda, acrescentaremos: a obsessão recíproca e a auto-obsessão.
ENCARNADO PARA ENCARNADO
Pessoas obsidiando pessoas existem em grande número. Estão entre nós. Caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem corno vítimas. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio, e é exercido, ~ vezes, de maneira tão sutil que o dominado se julga extremamente amado. Até mesmo protegido. Essas obsessões correm por conta de um amor que se torna tiranizante, demasiadamente possessivo, tolhendo e sufocando a liberdade do outro. É, por exemplo, o marido que limita a liberdade da esposa, mantendo-a sob o jugo de sua vontade; é a mulher que tiraniza o companheiro, escravizando-o a os seus caprichos ; são os pais que se julgam no direito de governar os filhos, cerceando-lhes toda e qualquer iniciativa; são aqueles que, em nome da amizade, influenciam o outro, mudando-lhe o modo de pensar, exercendo sempre a vontade mais forte o domínio sobre a que se apresentar mais passiva. São ainda as paixões escravizantes que, desequllibrando emocionalmente os seres, podem ocasionar dramas dolorosos, configurados em pactos de suicídio, assassínios' etc. A dominação mental acontece não só no plano terrestre, isto é nas ocorrências do dia a dia. mas prossegue principalmente durante o sono físico, quando os seres assim comprometidos se defrontam em corpo astral, parcialmente libertos do corpo carnal, dando curso em maior profundidade ao conúbio infeliz em que se permitiram enredar. O mesmo sucede sob o império do ódio ou quaisquer outros sentimentos de ordem inferior. Até mesmo dentro dos lares, na mesma família, onde se reencontram antigos desafetos, velhos companheiros do mal, comparsas de crimes nefandos, convocados pela Justiça Divina ao reajustamento. Entretanto, escravizados ao passado deixam-se levar por antipatia e aversão reciprocas, que bem poucos conseguem superar de imediato. Surgem dai muitas das rixas familiares, já que esses Espíritos agora unidos pelos laços da consangüinidade, prosseguem imantados às paixões do pretérito, emitindo vibrações inferiores e obsidiando-se mutuamente. São pais que recebem , como filhos, antigos obsessores. ~ o obsessor de ontem que acolhe nos braços, como rebento de sua carne, a vitima de antanho. E esses seres se entrelaçam nos liames consangüíneos para que tenham a preciosa ensancha de modificar os próprios sentimentos, vencendo aversões, rancores e mágoas. Reduzido, porem, ainda é o número dos que conseguem triunfar, conquistando o vero sentimento de fraternidade' tolerância e amor. Sem embargo, a experiência vivida, à custa de sacrifícios e lágrimas, será para todos o passo inicial da longa e bela escalada, em busca do Pai que nos aguarda em Sua Infinita Misericórdia.
DESENCARNADO PARA DESENCARNADO
Espíritos que obsidiam Espíritos. Desencarnados que dominam outros desencarnados, são expressões' de um mesmo drama que se desenrola tanto na Terra quanto no Plano Espiritual Inferior. As humanidades se entrelaçam: a dos seres incorpóreos e a dos que retomaram a carne. Situações que ocorrem na Crosta são, em grande parte, reflexo da odisséia que se desenvolve no Espaço. E vice-versa. Os homens são os mesmos: carregam os seu vícios e paixões, as suas conquistas e experiências onde quer que estejam. Por isso há no Além-Túmulo obsessões entre Espíritos. Por idênticos motivos das que ocorrem na face da Terra. Em quase todos os processos obsessivos desencadeados pelo que já desencarnou, junto ao que ainda está preso ao veículo físico, o obsessor cioso da cobrança costuma, em geral, aliciar outros Espíritos para secunda-lo em sua Vingança. Tais "ajudantes" são invariavelmente inferiores e de Inteligência menos desenvolvida que a de seu chefe. A sujeição mental a que se submetem tem suas origens no temor ou até em compromissos ou dívidas existentes entre eles, havendo casos em que o "chefe" os mantém sob hipnose - processo análogo, aliás, ao utilizado com as vitimas encarnadas. O jugo dos obsessores só é possível em razão da desarmonia vibratória de suas presas, que só alcançarão a liberdade quando modificarem a própria direção mental. Certamente recebem, tanto quanto os obsessores, vibrações amorosas e equilibradas dos Benfeitores Espirituais, que Ihes aguardam a renovação. Espíritos endividados e comprometidos entre si mesmos, através de associações tenebrosas, de idêntico padrão vibratório, se aglomeram em certas regiões do Espaço, obedecendo à sintonia e à lei de atração, formando hordas que erram sem destino ou se fixam temporariamente, em cidades, colônias, núcleos, enfim, de sombras e trevas. Tais núcleos tem dirigentes, que se proclamem Juízes, julgadores, chamando a si a tarefa do distribuir "justiça " aos Espíritos Igualmente culpados e também devotados ao. mal, ou endurecidos pela revolta e pela descrença. Na obra " Libertação ", de André Luiz, encontramos a descrição de uma dessas cidades e no livro "Nos Bastidores da Obsessão", de Manoel P. de Miranda, temos notícia também de um desses núcleos trevosos. Aí, nesses redutos das sombras, comete-se toda sorte de atrocidades e os Espíritos aferrados ao mal são julgados e condenados por outros ainda em piores condições. Torturas inimagináveis, crueldades, atos nefandos são praticados por esses seres que se afastaram, deliberadamente do bem. Esses agentes do mal, todavia, não estão abandonados pela misericórdia do Senhor, e sempre que ofereçam condições propícias são balsamizados pelas luzes divinas a ensejar-lhes a transformação. Um dia retornarão ao aprisco, porque nenhuma das ovelhas se perdera...
ENCARNADO PARA DESENCARNADO
A primeira vista, a obsessão do encarnado sobre o desencarnado pode parecer difícil ou mais rara de acontecer. Mas, ao contrário, é fato comum, já que as criaturas humanas, em geral por desconhecimento, vinculam-se obstinadamente aos entes amados que as prece. deram no túmulo. Expressões de amor egoísta e possessivo, por parte dos que ainda estão na carne, redundam em fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre. Essas emissões mentais constantes, de dor, revolta, remorso e desequilíbrio terminam por imantar o recém-desencarnado aos que ficaram na Terra, não lhes permitindo alcançar o equilíbrio de que carece para enfrentar a nova situação. A inconformação e o desespero, pois, advindos da perda de um ente querido, podem transformar-se em obsessão que irá afligi-lo e atormenta-lo. Idêntico processo se verifica quando o sentimento que domina o encarnado é o do ódio, da revolta, etc. É bastante comum, também, que herdeiros insatisfeitos com a partilha dos bens determinada pelo morto se fixem mentalmente neste, com seus pensamentos de inconformação e rancor. Ac disputas de herança afetam dolorosamente os que já se desprenderam dos liames carnais, se estes ainda não conquistaram posição espiritual de equilíbrio. E, mesmo neste caso, a disputa entre os herdeiros em torno dos bens irá confrange-los e preocupá-los. Ah! se os homens pensassem um pouco mais na vida além da ida transitória, se dedicassem mais atenção às coisas espirituais, se dessem mais valor aos bens eternos que constituem o verdadeiro tesouro, se relembrassem os sublimes ensinamentos do Cristo, certamente haveria menos corações infelizes a transitarem entre os dois planos, hesitando entre a espiritualidade que Ihes acena com novas perspectivas e as solicitações inferiores que os atraem e os imantam à retaguarda.
DESENCARNADO PARA ENCARNADO
É a atuação maléfica de um Espírito sobre um encarnado. O processo obsessivo entre os seres invisíveis e os que estão encarnados parece ser o de maior incidência. Evidentemente, por ser mais fácil ao desencarnado influenciar e dominar a mente daquele que está limitado pelo veículo somático. Agindo nas sombras, o obsessor tem, a seu favor o fato de não ser visível e nem sempre percebido ou pressentido pela sua vítima. Esta, incauta, imprevidente, desconhecendo até a possibilidade da sintonia entre os seres do Plano Espiritual e os da Esfera Terrestre deixa-se induzir, sugestionar e dominar pelo perseguidor, que encontra em seu passado as "tomadas" mentais que facultarão a conexão. Estas "tomadas" são os fatores predisponentes, como a presença da culpa e do remorso. Nem sempre, contudo o Espírito está consciente da sua influência negativa sobre o encarnado. Não raro, desconhecendo a sua situação, pode, sem o saber, aproximar-se de uma pessoa com a qual se, afinize e assim prejudicá-la com suas vibrações. Outros o fazem intencionalmente; a maioria, com o intuito de perseguir ou vingar-se, como veremos nos capítulos seguintes.
OBSESSÃO RECIPROCA
A obsessão pode assumir ainda, em qualquer de suas expressões até agora mencionadas, a caraterística de obsessão reciproca. Na vida real é fácil encontrar casos que confirmem isto. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, na qual buscam 0 enriquecimento espiritual que as possa nutrir e confortar, assim também, sob outro aspecto, as criaturas se procuram para locupletar-se das vibrações que permutam e nas quais se comprazem. Apenas, uma vez mais, uma questão de escolha. André Luiz, observando o caso de Libório— que obsidiava a mulher por quem sentia paixão, vampirizando-lhe o corpo físico— esclarece a respeito: "O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição reciproca. (. . .) enquanto não Ihes modificamos as disposições espirituais (. . . ) jazem no regime da escravidão mútua, em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros." Essa característica de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois seres passam a viver em regime de comunhão de pensamentos e vibrações. Isto ocorre até mesmo entre os encarnados que se unem através do amor desequilibrado, mantendo um relacionamento enervante. São as paixões avassaladoras que tornam os seres totalmente cegos a quaisquer outros acontecimentos e interesses, fechando-se ambos num egoísmo a dois, altamente perturbador. Esses relacionamentos, via de regra, terminam em tragédias se um dos parceiros modificar o seu comportamento em relação ao outro. Não raro, encontramos em nossas reuniões casos de obsidiados que estão sendo tratados e que afirmam desejar livrar-se do jugo do obsessor. Quando este, entretanto, comunica-se gaba-se de que o encarnado o chama insistentemente e diz precisar dele (obsessor), não se podendo separar, pois necessitam um do outro. Alguns chegam mesmo a proclamar que entre ambos existe paixão, razão pela qual têm de permanecer juntos. Se o encarnado diz que pretende libertar-se, isto se deve ao fato de que fisicamente ele sofre com tal situação. No Intimo, todavia, tem prazer em situar-se como vítima. Durante o sono, por certo, basca a companhia do outro, comprazendo-se com a permuta de vibrações e sensações. Nos caminhos da Mediunidade, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, cap. 14. 10 ed. FEBA
AUTO-OBSESSÃO
"O homem não raramente é o obsessor de si mesmo", é o que assevera o Codificador. Tal coisa, porém, bem poucos admitem. A grande maioria prefere lançar toda a culpa de seus tormentos e aflições aos Espíritos, livrando-se, segundo julguem, de maiores responsabilidades. Kardec vai mais longe e explica: "Alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo." Tais pessoas estão ao nosso redor. São doentes da alma. Percorrem os consultórios médicos em busca do diagnóstico impossível para a medicina terrena. São obsessores de si mesmos, vivendo um passado do qual não consegues fugir. No porão de suas recordações estão vivos os fantasmas de suas vítimas, ou se reencontram com os a quem se acumpliciaram e que, quase sempre, os requisitam para a manutenção do conúbio degradante de outrora. Esses, os auto-obsidiados graves e que se apresentam também subjugados por obsessões lamentáveis. São os inimigos, as vítimas ou os comparsas a Ihes baterem às portas da alma. Mas existem também aqueles que portam auto-obsessão sutil, mais difícil de ser detectada. É, no entanto, moléstia que está grassando em larga escala atualmente. Um médico espirita disse-nos, certa vez, que é incalculável o número de pessoas que comparecem aos consultórios, queixando-se dos mais diversos males - para os quais não existem medicamentos eficazes - e que são tipicamente portadores de auto-obsessão. São cultivadores de "moléstias fantasmas". Vivem voltados para si mesmos, preocupando-se em excesso com a própria saúde (ou se descuidando dela), descobrindo sintomas, dramatizando as ocorrências mais corriqueiras do dia-a-dia, sofrendo por antecipação situações que jamais chegarão a se realizar, flagelando-se com o ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformando-se em doentes imaginários, vitimas de si próprios, atormentados por si mesmos. Esse estado mental abre campo para os desencarna dos menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se ai sim, o desequilíbrio por obsessão.

25 novembro 2006

MEDIUNIDADE NAS CRIANÇAS

Não é aconselhável estimular a prática da mediunidade na criança. Isto porque o organismo da criança não está completamente desenvolvido, seus órgãos, sobretudo o sistema nervoso; estão em fase de maturação. Além do mais, a criança talvez não possua discernimento necessário para evitar as influências dos maus Espíritos.
Kardec, perguntando aos Espíritos orientadores da Codificação sobre se haveria inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças, obteve de um deles a seguinte resposta: "(...) Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobre-excitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais." (01 )
"No exame do assunto, há que se observar o problema do desenvolvimento sob duplo sentido. físico e mental.
Há crianças bem desenvolvidas fisicamente, mas de recursos mentais e intelectuais deficientes (...).
Existem crianças fisicamente pouco desenvolvidas, porém mental e intelectualmente bem dotadas.
Em ambos os casos a prudência aconselha seja evitado, junto à criança, o trabalho mediúnico.
Desenvolver a mediunidade, ou seja, educá-la, significa colocar-nos em relação e dependência magnética, mental e moral com entidades dos mais variados tipos evolutivos (...).
O frágil organismo infantil e sua inexperiência podem sofrer os efeitos de uma aproximação obsidiante.
A imaginação da criança é, sobremodo, excitável, o que pode ocasionar conseqüências perigosas sob o ponto de vista do equilíbrio, da estabilidade espiritual (...).
São negativos todos os aspectos do desenvolvimento mediúnico das crianças.
O Codificador, missionário escolhido, estava certo ao desaconselhar tal proceder.
Há recursos de amparo às crianças que revelam mediunidade.
Prece em seu favor e dos Espíritos que delas tentam acercar-se.
Passes ministrados por companheiros responsáveis.
Freqüência às aulas espíritas de Evangelho, a fim de que possam, a pouco e pouco, ir assimilando noções doutrinárias compatibilizadas com sua idade." (05)
Devemos considerar, porém, que há crianças cuja mediunidade ocorre naturalmente, sem causar-lhes transtornos. Estas crianças são médiuns naturais e, "(...) quando numa criança a faculdade se mostra espontânea, é que está na sua natureza e que a sua constituição se presta a isso. O mesmo não acontece quando é provocada e sobre-excitada. (...) a criança, que tem visões, geralmente não se impressiona com estas, que lhe parecem coisa naturalíssima, a que dá muito pouca atenção e quase sempre esquece. (...)" (02)
Para o início da prática mediúnica "Não há idade precisa, tudo dependendo inteiramente do desenvolvimento físico e, ainda mais, do desenvolvimento moral. Há crianças de doze anos a quem tal coisa afetará menos do que a algumas pessoas já feitas. Falo da mediunidade, em geral; porém, a de efeitos físicos é mais fatigante para o corpo; a da escrita tem outro inconveniente, derivado da inexperiência da criança, dado o caso de ela querer entregar-se a sós ao exercício da sua faculdade e fazer disso um brinquedo." (03)
"A prática do Espiritismo (...) demanda muito tato, para a inutilização das tramas dos Espíritos enganadores. Se estes iludem a homens feitos, claro é que a infância e a juventude mais expostas se acham a ser vítimas deles. Sabe-se, além disso, que o recolhimento é uma condição sem a qual não se pode lidar com Espíritos sérios. As evocações feitas estouvadamente e por gracejo constituem verdadeira profanação, que facilita o acesso aos Espíritos zombeteiros, ou malfazejos. Ora, não se podendo esperar de uma criança a gravidade necessária a semelhante ato, muito de temer é que ela faça disso um brinquedo, se ficar entregue a si mesma. Ainda nas condições mais favoráveis, é de desejar que uma criança dotada de faculdade mediúnica não a exercite, senão sob a vigilância de pessoas experientes, que lhe ensinem, pelo exemplo, o respeito devido às almas dos que viveram no mundo. Por aí se vê que a questão de idade está subordinada às circunstâncias, assim de temperamento, como de caráter. (...)" (04)

FONTES DE CONSULTA
01. KARDEC, Allan. Dos Incovenientes e Perigos da Mediunidade. In. O Livro do Médiuns. Trad. De Guillon Ribeiro. 61. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995. Item 221 (subitem 6º pág. 265
02. Item 221 (subitem 7º). Pág.265.
03. Item 221 (subitem 8º). Pág. 266.
04. Item 222. pág. 266.
05. PERALVA Martins. Mediunidade nas crianças. In. Mediunidade e Evolução. 7.ed. 7.ed. Rio [de janeiro]:FEB. 1995. Pág. 137
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