Mostrando postagens com marcador CAMPANHA SUICÍDIO NÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CAMPANHA SUICÍDIO NÃO. Mostrar todas as postagens

01 janeiro 2012

Suicídio (1)

Rogério Coelho
"A Ciência Espírita ensina que, pelo suicídio sempre se perde o que se queria ganhar. O suicídio é o corolário da covardia moral, que por sua vez é o resultado a que leva a incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro e as idéias materialistas." Allan Kardec (1)

Afirma ainda o Mestre Lionês:

"(...) Quando homens de ciência, apoiados na autoridade do seu saber, se esforçam por provar aos que os ouvem ou lê em que estes nada têm a esperar depois da morte, não estão de fato levando-as a deduzir que, se são desgraçados, coisa melhor não lhes resta senão se matarem? Que lhes poderiam dizer para desviá-los dessa conseqüência? Que compensação lhes podem oferecer? Que esperança lhes podem dar? Nenhuma, a não ser o nada...
Daí se deve concluir que, se o nada é o único remédio heróico, a única perspectiva, mais vale buscá-lo imediatamente e não mais tarde, para sofrer por menos tempo. A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a idéia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade. Com o Espiritismo, tornada impossível a dúvida, muda o aspecto da Vida. O crente sabe que a existência se prolonga indefinidamente para lá do túmulo, mas em condições muito diversas; donde a paciência e a resignação que o afastam muito naturalmente de pensar no suicídio; donde, em suma, a coragem moral.
O Espiritismo ainda produz, sob esse aspecto, outro resultado igualmente positivo e talvez mais decisivo: apresenta-nos os próprios suicidas a informar-nos da situação desgraçada em que se encontram e a provar que ninguém viola impunemente a Lei de Deus, que proíbe ao homem encurtar a sua Vida. Entre os suicidas, alguns há cujos sofrimentos, nem por serem temporários e não eternos, não são menos terríveis e de natureza a fazerem refletir os que porventura pensam em daqui sair, antes que Deus o haja ordenado
O suicídio tem sempre por causa um descontentamento, quaisquer que sejam os motivos particulares que se lhes apontem. Ora, aquele que está certo de que só é desventurado por um dia e que melhores serão os dias que hão de vir, enche-se facilmente de paciência. Só se desespera quando nenhum termo divisa para os seus sofrimentos. E que é a Vida humana, com relação à Eternidade, senão bem menos que um dia? Mas, para o que não crê na Eternidade, e julga que com a Vida tudo se acaba, se os infortúnios e as aflições o acabrunham, unicamente na morte vê uma solução para as suas amarguras. Nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar pelo suicídio as suas misérias.(2)
O Espírita tem vários motivos para contrapor à idéia do suicídio: a certeza de uma Vida Futura, em que, sabe-o ele, será tanto mais ditoso, quanto mais inditoso e resignado haja sido na Terra: a certeza de que, abreviando seus dias, chega, precisamente, a resultado oposto ao que esperava; que se liberta de um mal, para incorrer num mal pior, mais longo e terrível; que se engana, imaginando que, com o matar-se, vai mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo a que no outro mundo ele se reúna aos que foram objeto de suas afeições e aos quais esperava encontrar; donde a conseqüência de que o suicídio, só lhe trazendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses. Por isso mesmo, considerável já é o número dos que têm sido, pelo Espiritismo, obstados de suicidar-se, podendo daí concluir-se que, quando os homens forem Espíritas, deixará de haver suicidas conscientes. Comparando-se, então, os resultados que as doutrinas materialistas produzem com os que decorrem da Doutrina Espírita, somente do ponto de vista do suicídio, forçoso será reconhecer que, enquanto a lógica das primeiras a ele conduz, a da outra o evita, fato que a experiência confirma."

Atentemos para a exortação de Santo Agostinho:

"(...) Até quando os vossos olhares se deterão nos horizontes que a morte limita? Quando, afinal, vossa alma se decidirá a lançar-se para além dos limites de um túmulo? Houvésseis de chorar a Vida inteira, que seria isso, a par da eterna glória e resignação? Buscai consolações para os vossos males no porvir que Deus vos prepara e procurai-lhes a causa no passado. E vós, que mais sofreis, considerai-vos os afortunados da Terra.
(...) Se na maior acerbidade dos vossos sofrimentos, entoardes hinos ao Senhor, o anjo, à vossa cabeceira, com a mão vos apontará o sinal da salvação e o lugar que um dia ocupareis. A fé é o remédio seguro do sofrimento; mostra sempre os Horizontes do Infinito diante dos quais se esvaem os poucos dias brumosos do presente. Não nos pergunteis, portanto, qual o remédio para curar tal úlcera ou tal chaga, para tal tentação ou tal prova. Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da fé; e aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente punido, porque logo sente as pungitivas angústias da aflição.
O Senhor apôs o Seu selo em todos os que n`Ele crêem. O Cristo vos disse que com a fé se transportam montanhas e eu vos digo que aquele que sofre e tem a fé por amparo, ficará sob a sua égide e não mais sofrerá. Os momentos das mais fortes dores que lhe serão as primeiras notas alegres da Eternidade. Sua Alma se desprenderá de tal maneira do corpo, que, enquanto se estorcer em convulsões, ela planará nas regiões celestes, entoando, com os anjos, hinos de reconhecimento e de glória ao Senhor.
Ditosos os que sofrem e choram! Alegres estejam suas almas, porque Deus as cumulará de bem-aventuranças." (3)

1 - Kardec, A. in "O Livro dos Espíritos" - conclusão VII
2 - Kardec, A. in "O Evangelho Segundo o Espiritismo" - Capítulo V, item 16
3 - Kardec, A. in "O Evangelho Seg. o Espiritismo" - Capítulo V, item 16

Suicídio (2)

Antônio Fernandes Rodrigues
"Todo aquele suicida presume que a morte é o fim do amargor, sem saber que o desespero é a porta para outra dor." - Casimiro Cunha
Um dos atos mais nefastos que o homem pratica é sem dúvida o suicídio, esse execrável assassinato de si mesmo. Aliás, somente quem não é religioso comete crime dessa natureza. Muitos suicidas dizem-se religiosos, mas na verdade não são, porque todas as religiões condenam essa loucura abominável.
Os livros espíritas relatam casos horrorosos de suicídios. São inenarráveis os padecimentos daqueles que julgavam livrarem-se dos sofrimentos que viviam e centuplicaram os mesmos com o suicídio.
Alertam que os dos encarnados são sofrimentos passageiros e os dos suicidas prolongam-se por tempo indeterminado e quando reencarnam tais criaturas têm que recapitular as expiações programadas e não cumpridas na existência anterior, com os acréscimos que a Lei Divina determina, segundo as atenuantes ou agravantes.
Os livros de Allan Kardec, André Luiz, Yvonne A. Pereira, Zilda Gama e tantos outros, somando uns trinta títulos, descrevem casos que realmente causam piedade, cujos sofrimentos ultrapassam tudo que possamos imaginar.
Quem ler, por exemplo os relatos constantes do livro "O Céu e o Inferno", de Allan Kardec, nos quais os suicidas mencionam os seus pungentes sofrimentos, eliminará de sua mente a idéia de suicídio, mesma que esteja passando por situação dolorosa, pois esta passa, enquanto que as dos suicidas ultrapassam tudo o que possamos imaginar.
Vejamos um deles:
Faz quase seis anos que esse homem morreu, e sempre se vê caindo da torre e indo despedaçar-se nas pedras. Apavora-o vazio que tem diante de si, sente as apreensões da queda...E isto, há seis anos! Quanto tempo durará? Não o sabe, e esta incerteza aumenta a sua agonia." François-Simon Louvet suicidou-se em 03/07/1857, em Havre na França.(Cap. V - Segunda Parte - Suicidas).
Vejamos outro caso:
Leviana que fui, quando me vi só, e aparentemente desamparada, entreguei meus pobres filhos a parentes caridosos e sorvi, louca, o veneno que me desintegraria o corpo menosprezado. Supunha reencontrar o esposo querido ou chafurdar-me no abismo da inexistência; todavia, nem uma realização nem outra me surpreenderam o coração. Despertei sob denso nevoeiro de lama e cinza e debalde clamei socorro, à face dos padecimentos que me asfixiavam. Coberta de chagas, qual se tóxico letal me atingisse os mais finos tecidos da alma, gritei sem destino certo!"
Libertação - André Luiz - Edição FEB - Págs. 218 e 219.
Ninguém burla a Lei. O que plantarmos, colheremos; portanto, não adianta queremos fugir dos compromissos assumidos.
Quem não se esforça por vencer as dificuldades, não suporta as agressões do companheiro(a), nem supera os desgostos das deficiências de seu corpo, abandonando a vestimenta carnal pelo suicídio, arrepender-se-á amargamente, porque os padecimentos que advirão serão muitíssimos mais dolorosos e difíceis de vencer.

Suicídio (3)

Sérgio Biagi Gregório
1. INTRODUÇÃO

Quais são as causas que nos levam a tentar o suicídio? Por que um indivíduo apodera-se da direção de um avião e se transforma num homem-bomba? Tem o homem o direito de tirar a sua própria vida? Por que? Quais as conseqüências deste ato fatal na vida humana? Estas são, entre muitas outras, questões vitais para o entendimento do problema do suicídio. O nosso objetivo é analisar o tema segundo os pressupostos espíritas.

2. CONCEITO

Dado que o suicídio afeta todos os aspectos da vida humana, ele deve ser estudado levando-se em conta os componentes físicos, sociais, mentais etc. e que, em conseqüência, obedece a uma causação múltipla. A cada um desses componentes corresponde um ângulo de análise, e a cada ângulo, uma definição patológica, sociológica, moral, filosófica etc. Estas não devem ser necessariamente contraditórias, mas complementares.
De um modo geral, define-se suicídio como a ação pela qual alguém põe intencionalmente termo à própria vida. É um ato exclusivamente humano e está presente em todas as culturas.
Do ponto de vista da Doutrina Espírita, o suicídio é considerado um crime, e pode ser entendido não somente no ato voluntário que produz a morte instantânea, mas em tudo quanto se faça conscientemente para apressar a extinção das forças vitais. Importa numa transgressão da Lei Divina. É sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Criador.
(Equipe da FEB, 1997)

3. HISTÓRICO

Percorrendo a história da humanidade, notamos que na Antigüidade os hebreus foram os que menos cometeram o suicídio. As Escrituras registram apenas o suicídio de Abimileque, de Saúl, de Aquitofel, de Zambri e pouco mais.
Nos povos orientais, o suicídio é um fato vulgar e normal. Os japoneses adotam o haraquiri, ritual de suicídio usando a espada. São famosos os camicases, pilotos japoneses, membros de um corpo de voluntários que no fim da 2.ª Guerra Mundial, treinados para desfecharem um ataque suicida contra objetivos inimigos, especialmente navios. Na Índia não se contam os suicídios senão aos milhares
Na história do Egito, tornou-se célebre o suicídio de Cleóprata.
Em Cartago eram também freqüentes os suicídios. Amílcar matou-se humilhado por uma derrota e Aníbal suicidou-se para não cair nas mãos dos seus inimigos. Códio, rei de Atenas, matou-se para livrar o seu país dos horrores da guerra.
Na Idade Média, período caracterizado por uma maciça dominação religiosa, o suicídio diminuiu, pois quem o cometesse não recebia as bênçãos da Igreja. Na renascença, período de maior liberdade religiosa, o suicídio recrudesceu e continua até nos dias atuais, principalmente explicados pelos problemas causados pela Revolução Industrial e pelo Capitalismo nascente, os quais diminuíram os apelos à Religião. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

4. CAUSAS DO SUICÍDIO

As causas do suicídio são numerosas e complexas. Elas são geralmente analisadas sob três aspectos:

PERSPECTIVA BIOLÓGICA

Pesquisas indicam que o comportamento suicida acontece em famílias, sugerindo que fatores biológicos e genéticos desempenham papel de risco. Algumas pessoas nascem com certas desordens psiquiátricas tal como a esquizofrenia e o alcoolismo, o que aumenta o risco de suicídio.

TEORIAS PSICOLÓGICAS

Em princípio o suicídio é comparado por muitos psicológicos com os casos de neurose.
Os determinantes do suicídio patológico estão nas perturbações mentais, depressões graves, melancolias, desequilíbrios emocionais, obsessões, delírios crônicos.
O psiquiatra americano Karl Menninger elaborou sua teoria baseando-se nas idéias de Freud. Ele sugeriu que todos os suicidas tem três dimensões inconscientes e interrelacionadas: vingança/ódio (desejo de matar); depressão/desespero (desejo de morrer); culpa/pecado (desejo de ser morto).

SENTIDO SOCIOLÓGICO

Socialmente o suicídio é um ato que se produz no marco de situações anômicas (desorganizadas) em que os indivíduos se vêem forçados a tirar a própria vida para evitar conflitos ou tensões inter-humanas, para eles insuportáveis. Para Émile Durkheim, a causa do suicídio só pode ser sociológica. Em seu estudo caracterizou três tipos de suicidas:
a) suicida egoísta. A pessoa se mata para não sofrer mais;
b) suicida altruísta. A pessoa se mata para não dar trabalho aos outros (geralmente pessoas de idade);
c) suicida anômico. A pessoa se mata por causa dos desequilíbrios de ordem econômica e social. Exemplo: a Revolução Industrial, tirando empregos de algumas pessoas, estimulou-lhes o suicídio. (Enciclopédia Encarta)

5. ESTATÍSTICA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou em 1 milhão o número de suicídios em 2000. De acordo com a organização, a média anual de suicídios no mundo passou de 10,1 a cada 100.000 habitantes, em 1950, para 16 casos no mesmo universo de pessoas em 1995, o que corresponde a um aumento de 60%.
Países do Leste Europeu são os recordistas em média de suicídio por 100.000 habitantes. A Lituânia (41,9), Estônia (40,1), Rússia (37,6), Letônia (33,9) e Hungria (32,9). Guatemala, Filipinas e Albânia estão no lado oposto, com a menor taxa, variando entre 0,5 e 2. Os demais estão na faixa de 10 a 16.
Em números absolutos, porém, a China lidera as estatísticas. Foram 195 mil suicídios no ano de 2000, seguido pela Índia com 87 mil, a Rússia com 52,5 mil, os Estados Unidos com 31 mil, o Japão com 20 mil e a Alemanha com 12,5 mil. (Folha de São Paulo, 05/07/2000, p. a11).
Resumindo: na Ásia e Oriente a taxa de suicídio por 100.000 habitantes é mais do que 16, na América do Norte situa-se entre 8 e 16, na América do Sul apresenta-se com menos de 8 e na África não há dados disponíveis.
Gertner calcula que por cada suicídio completado há 10 tentativas. Os homens tendem a se suicidar de modo violento; as mulheres de modo suave e em menor proporção.
Observação: há que se tomar cuidado na comparação estatística entre nações, porque nem todos têm o mesmo conceito do que seja morrer por suicídio.

6. CENTROS DE PREVENÇÃO

O Reverendo Chad Varah, de 89 anos, é o criador do serviço de prevenção ao suicídio. Samaritanos é o nome britânico da ONG cuja similar brasileira funciona desde o início dos anos 60 como CVV, Centro de Valorização da Vida.
Pastor anglicano, Chad Varah começou seu trabalho em 1936, quando foi chamado para oficiar o funeral de uma menina de 14 anos. A garota havia se suicidado ao ficar menstruada pela primeira vez. Desesperada, pensou que havia contraído uma doença. Esse episódio chocou de tal maneira o jovem reverendo que ele resolveu dar aulas de educação sexual para jovens. Descobriu depois, numa notícia de jornal, que três pessoas se suicidavam a cada dia em Londres. Foi assim que, em 1953, numa pequena sala munida de telefone na Igreja de St. Stephen, no centro londrino, ele fundou os Samaritanos. (Folha de São Paulo, 24/06/2001, p. A 19)
Atualmente há muitos Centros como esses, inclusive com endereço na Internet. No Brasil, além do CVV, há também o Socorro Emocional, que do mesmo modo que o CVV, segue os preceitos do psicólogo norte-americano Carl Rogers (1902-1987), cuja tese é a de que todo o ser humano tem potencial suficiente para encontrar saídas para o seu próprio problema.

7. DOUTRINA ESPÍRITA

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DAS OBRAS BÁSICAS DE ALLAN KARDEC
Em O Livro dos Espíritos, nas perguntas 943 a 957, Allan Kardec discute o tema apontando as causas e as conseqüências deste ato sinistro. Diz-nos que o desgosto pela vida é efeito da ociosidade, da falta de fé e geralmente da sociedade. Para aqueles que exercem as suas faculdades com um fim útil e segundo as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido a vida se escoa mais rapidamente. Os Espíritos nos advertem que quando cometemos o suicídio responderemos como por um criminoso. Acrescenta ainda que "aquele que tira a própria vida para fugir à vergonha de uma ação má, prova que tem mais em conta a estima dos homens que a de Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas iniquidades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Deus é muitas vezes menos inexorável que os homens: perdoa o arrependimento sincero e leva me conta o nosso esforço de reparação; mas o suicídio nada repara".
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo V - Bem-Aventurados os Aflitos, analisa o suicídio juntamente com a loucura, e nos diz que "a calma e a resignação, hauridas na maneira de encarar a vida terrestre, e na fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio". A leitura atenta deste capítulo do Evangelho seria um preservativo para todos os males da humanidade, pois não só nos explica os meios de nos livrarmos da pena como também nos alerta para o bem e o mal sofrer, sobre a melancolia etc.
Em O Céu e o Inferno, no capítulo V, há relatos dos próprios suicidas sobre o seu estado infeliz na erraticidade. Verificando cada um deles, vamos observar que, embora o sofrimento seja temporário, nem por isso deixa de ser difícil, pois o remorso parece não ter fim.

ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DAS OBRAS COMPLEMENTARES

No livro Memórias de um Suicida, fala-se do vale dos suicidas, ou seja, o lugar para onde vão as almas daqueles que cometeram o suicídio. Por que vale? É um lugar que tem um desnível com relação ao plano? Dá-se a impressão que todos os que cometem o suicídio vão para esse lugar de sofrimento atroz, em que figuras dantescas aparecem a todo o momento, e o indivíduo que cometeu o suicídio fica sentindo os germes comerem o seus restos mortais.
Em Mecanismos da Mediunidade, o Espírito André Luiz, ao discutir sobre a ideoplastia do pensamento, fornece-nos elementos para a nossa reflexão sobre este tema. Se muitos ficam pensando no suicídio, eles criam um campo mental, uma espécie de aura de formas- pensamentos, e se um Espírito menos avisado entrar nessa faixa vibratória, ele poderá ser induzida ao cometer este ato. Por isso, precisamos tomar cuidado com o teor energético do nosso pensamento, pois uma vez emitido ele criará as forças desencadeantes para a ação

REFLEXÕES BASEADAS NOS PRESSUPOSTOS ESPÍRITAS

1. Continuar Vivo. Um dos grandes embaraços de quem comete o suicídio, pensando que teria dado cabo da vida, é a surpresa de que continua vivo. Nesse sentido, de que vale tirar-nos a vida, se continuamos a existir?
2. Atenuantes e Agravantes. Não temos o hábito de relacionar a parte e o todo e podemos cair no erro da absolutização do relativo. É o caso de estigmatizar todos os Espíritos que cometeram suicídio, colocando-os num mesmo grau de sofrimento e punição. Há que se considerar a influência que receberam dos outros, os seus estados mentais etc. Será que nós, com o nosso modo impensado de agir, não os induzimos involuntariamente? Será que a sociedade, pelo seu descaso, não deixou de auxiliá-los, quando podia fazê-lo?
3. O Espírita tem de opor-se à idéia do suicídio. A certeza da vida futura lhe dá condições de saber que será menos ou mais feliz de acordo com a resignação com que tiver suportado os sofrimentos aqui na Terra.
4. Suicídio inconsciente. O relato do Espírito André Luiz, quando estava no umbral - e ouvia chamá-lo de suicida -, é marcante, pois mesmo não o tendo cometido voluntariamente, dissipou desordenadamente as suas energias físicas e mentais. No campo mental, a cólera, a falta de autodomínio e inadvertência no trato com os semelhantes; no campo físico, o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas.
5. Orar e vigiar. Nunca se deve dar tanta atenção a este dispositivo da mente. Há muitos momentos de angústia, de solidão, mas temos que passar por cima como um trator que vai moendo tudo o que lhe vem de encontro. Utilizando-nos da prece e da vigilância, podemos aliviar muitos desses males do pensamento.

8. CONCLUSÕES

Enfrentemos a nossa vida, pois não podemos ter outra. Lembremo-nos de que o problema pode não ser tão grave quanto a nossa imaginação o pinta. Quem sabe se esperarmos um pouco mais, exercitando a paciência e a resignação, a dificuldade não toma outro rumo, a doença não recebe o remédio correto, o desgosto não tem o consolo necessário? Depositemos a nossa confiança inteiramente em Deus. Ele sabe o momento oportuno de nos tirar do embaraço.

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

EQUIPE DA FEB.
O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.

KARDEC, A.
O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo. 22 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1975.
O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.

XAVIER, F. C.
Mecanismos da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 8. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira.
Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.

Enciclopédia Encarta.
http://encarta.msn.com, SILVA, B. (coord.)

Dicionário de Ciências Sociais.
Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1986.

Suicídio (4)

Richard Simonetti
1 – O suicida permanece muito tempo em regiões de sofrimento, no plano espiritual, ou logo reencarna?
- Depende de suas necessidades e de como reage à situação que criou. Há os que retornam de imediato à carne. Há os que fazem estágios em regiões de sofrimento. Depois são acolhidos em instituições hospitalares que funcionam nas proximidades dos chamados vales dos suicidas, como descreve Camilo Castelo Branco (1825-1890), no livro Memórias de um Suicida, psicografado por Yvonne Pereira.

2 – Considerando o estado de desequilíbrio de quem comete o gesto tresloucado, não será contra-producente reconduzi-lo à reencarnação?
- Em alguns casos é uma necessidade, oferecendo-lhe a bênção do esquecimento e ajudando-o a superar as fixações que precipitaram sua fuga no pretérito.

3 – Haverá alguma conseqüência no novo corpo?
- O corpo espiritual ou perispírito é um molde da forma física. Se tem desajustes, estes tenderão a refletir-se nela. Acontece freqüentemente com o suicida.

4 – Poderia dar alguns exemplos?
- Quem se mata por afogamento terá problemas respiratórios. Quem ingeriu um corrosivo terá desajustes no aparelho digestivo. Quem atirou na cabeça poderá reencarnar com retardo mental, paralisia cerebral e males semelhantes. Quem põe fogo no corpo terá graves problemas dermatológicos.

5 – Seria uma espécie de castigo?
- Mais exatamente uma conseqüência. Se uso uma faca imprudentemente, acabo me cortando. Deus não estará me castigando. Apenas estarei colhendo o resultado de minha imprudência.

6 – Uma encarnação é suficiente para o suicida livrar-se dos desajustes gerados por seu ato?
- Isso depende de vários fatores, envolvendo o grau de comprometimento com o gesto tresloucado. Como regra diríamos que, quanto mais esclarecido for, quanto mais ampla sua noção a respeito das responsabilidades da vida, maior o estrago perispiritual, mais demorada a recuperação.

7 – Pode prolongar-se por mais de uma existência?
- É possível, dependendo de como reage. Podem ocorrer complicações, envolvendo, sobretudo, a reincidência. Em existência futura o indivíduo sentir-se-á tentado a cometê-lo novamente, quando enfrentar situações que motivaram sua fuga no passado.

8 – Há um aumento preocupante de suicídios em todos os países. O que pode ser feito a respeito?
- A Doutrina Espírita é uma vacina contra o suicídio, mostrando-nos que se trata de uma porta falsa, que nos precipita em sofrimentos mil vezes acentuados. Por isso, um dos grandes recursos para combater o suicídio é a sua divulgação. Trata-se de um trabalho abençoado que todos podemos desenvolver, particularmente usando livros espíritas, distribuindo-os a mão cheia, como ensina Castro Alves (1847-1871).

Do livro: Reencarnação: Tudo o que você precisa Saber

Suicídio: Uma Visão Espírita

Francisco Aranda Gabilan
Dar fim à própria vida, abrir mão de todas as possibilidades, por uma possível paz, é o caminho que muitos seguem, de forma consciente ou não; mas, ao invés de se mostrar uma solução, transforma-se num longo caminho de dor, sofrimento e libertação.
É impressionante e, até mesmo, aterrador que tenhamos que chamar de “atual” o tema relativo ao suicídio, seja voluntário, seja indireto. Mas, lastimavelmente, é atual mesmo: é um mal crescente, atingindo toda humanidade.
Sua ocorrência sempre foi constante, desde o passado remoto e em todos os segmentos sociais e étnicos, até mesmo, crianças. Existem relatos de suicídios, tanto individuais, quanto coletivos, em várias culturas indígenas.
Daí a sua atualidade. Aliás, não é por outra razão que o assunto tem sido objeto de preocupação de antropólogos, sociólogos, médicos, psiquiatras, psicólogos, enfim de todos os ramos de ciência do Ser – e obviamente, dos Espíritas, sempre atentos às chagas da humanidade.
É exemplo disso o número de palestras, debates e artigos que solicitam aos espíritas sobre o assunto, incluindo o número de que sempre surgem sobre o mesmo tema. Vale dizer, numa palavra: se há perguntas, é porque o tema necessita de ampla abordagem.

1. Como os Espíritos e o Espiritismo consideram o suicídio?
R: Usando unicamente os ensinos dos Espíritos constantes da Codificação, o suicídio é tido como um crime aos olhos de Deus (Céu e Inferno, cap. 5), e que importa numa transgressão da Lei Divina (Livro dos Espíritos, pergunta 944) e constitui sempre uma falta de resignação e submissão à vontade do Criador (idem, perg. 953-a). Desse modo, “jamais o homem tem o direito de dispor da vida, porquanto só a Deus cabe retirá-lo do cativeiro da Terra, quando o julgue oportuno. O suicida é qual o prisioneiro que se evade da prisão, antes de cumprida a pena; quando preso de novo, é mais severamente tratado. O mesmo se dá com o suicida que julga escapar às misérias do presente e mergulha em desgraças maiores” (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XXVII, item 71)

2. Por que os Espíritos tratam desse assunto com certa constância?
R: Primeiramente, como já afirmamos, porque ele é tema sempre atual, pois que o suicídio tem sido marca constante de nossa civilização; segundo, que é o mais importante: a doutrina dos Espíritos, tem um caráter consolador absoluto: através do fato mediúnico (no dizer do cultíssimo Herculano Pires, o fato mediúnico é literalmente uma segunda ressurreição) o espírito volta à carne, não a que deixou no túmulo, mas a do médium que lhe oferece, num gesto de amor, a oportunidade de retorno aos corações que deixou no mundo (Mediunidade, cap 5), é permitido que os próprios suicidas venham dizer-nos que eles não morreram e afirmam que não só não solucionaram o problema que os levou ao ato extremo, como ainda estão “vivos” e, de quebra, com dois problemas: o antigo e o novo, gerado pela violação das leis da Vida. Assim, o Espiritismo trabalha preventivamente para que as pessoas saibam das responsabilidades em praticar atos que possam agravar sua situação futura e não para condená-las ao martírio eterno.

3. Quais as causas que levam o Ser ao suicídio?
R: A incredulidade, a falta de fé, a dúvida, as idéias materialistas. Em suma, crer que o Nada é o futuro, como se o Nada pudesse oferecer consolação, como se fosse remédio para supostamente abreviar o sofrimento, crença que, na verdade, se constitui em covardia moral.

4. Quais as conseqüências do suicídio para o Espírito?
R: Em primeiro lugar, é preciso aclarar-se que o suicídio não apaga a falta cometida, mas, ao contrário, em vez de uma haverá duas; em segundo, que o Espírito, quando se dá conta do ato cometido, constata que nada valeu, ficando literalmente desapontado com os efeitos obtidos e que não eram os buscados, pois se certifica que a vida não se extinguiu e que continua mais real que nunca. Terceiro, e que é bastante doloroso, o suicídio agrava todos os sofrimentos: “depois de prolongados suplícios, nas regiões purgatórias, freqüentemente, após diversas tentativas frustradas de renascimento, readquirem o corpo de carne, mas transportam neles deficiências do corpo espiritual, cuja harmonia desajustaram. Nessa fase, exibem cérebros retardados ou moléstias nervosas obscuras”, segundo Emmanuel em Leis de Amor, capitulo VI.

5. Então, não há esperança de recuperação para o suicida?
R: Claro que há – total! Deus é Amor e Ele outorga a todas as Criaturas a maior expressão da Sua Bondade Infinita: a possibilidade de os Seres evoluírem sempre, incessantemente; permite que as existências se sucedam ofertando as oportunidades infinitas de reajuste e reforma; e isso é possível através do mais efetivo veiculo da Lei de Evolução: a reencarnação.

Portanto, os familiares do suicida de ontem ou de hoje não se exasperem, ao contrário, mantenham viva a esperança de que é possível a remissão das faltas e que o Pai de Misericórdia propiciará os meios de fazer com que o próprio autor do ato extremo se reconheça Espírito Eterno e indestrutível, e que a calma, a resignação e a fé serão os mais seguros preservativos contra as idéias autodestrutivas. Não será demais que se lhes repita: Deus é Bondade Infinita e, portanto, não permite que Suas Criaturas sofram indefinidamente e que esse sofrimento poderá ser abreviado mais rapidamente mercê de orações sinceras e cheias de amor de todos quantos querem que se restabeleça o Bem.

Do livro: Entre o Pecado e a Evolução Notas: Revista Espiritismo e Ciência 11, páginas 06-08)

Provas e Suicídio

Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec
Desde que se admita Deus, não podemos concebê-LO sem a infinidade das perfeições ; Ele deve ser todo poderoso, todo justiça, todo bondade, sem isso não seria Deus. Se Deus é soberanamente bom e justo, não pode agir por capricho nem com parcialidade. As vicissitudes da vida têm uma causa, e desde que Deus é justo, esta causa deve ser justa. Eis do que cada um deve bem se compenetrar. Deus colocou os homens sobre o caminho dessa causa pelos ensinamentos de Jesus, e hoje, julgando-os bastante maduros para a compreender, Ele lhes revelou tudo por inteiro pelo Espiritismo, isto é pela voz dos Espíritos.
O homem sobre a terra, e colocado sob a influência das idéias carnais, vê nessa provas apenas o lado penoso ; mas na vida espiritual, compara essas gozos fugidios e grosseiros com a felicidade inalterável que ele entrevê, e então vê que foram apenas sofrimentos passageiros. O Espírito pode então escolher a prova mais rude, e por conseqüência a existência mais penosa na esperança de chegar mais rápido a um estado melhor, como na doença escolheria freqüentemente o remédio mais desagradável para se curar mais cedo. Aquele que quer ligar seu nome à descoberta de um país desconhecido não escolhe uma rota florida ; sabe dos perigos que corre, mas sabe também a glória que o espera se for bem sucedido.
A doutrina da liberdade de escolha de nossas existências e das provas que devemos suportar cessa de parecer extraordinária se consideramos que os Espíritos, livres da matéria, apreciam as coisas de uma maneira diferente do que o fazemos nós mesmos. Eles se apercebem do objetivo, de maneira bem mais séria para eles do que dos gozos do mundo ; após cada existência, vêm o que fizeram no passado, e compreendem o que lhes falta ainda atingir em pureza : eis porque se submetem voluntariamente à todas as vicissitudes da vida corporal procurando, por eles mesmos, aquelas que podem fazê-los lá chegar mais prontamente. É por isso justamente que nos admiramos de não ver o Espírito dar preferência a uma existência mais doce. Ele não poderia gozar, em seu estado de imperfeição, uma vida isenta de amarguras ; mas a entrevê, e é para aí chegar que procura se melhorar.
Aqueles que nascem em semelhantes condições certamente não fizeram nada nesta vida para merecer tão triste sorte, sem compensação, sem que a pudessem evitar, impotentes de a mudar por eles mesmos, e que os coloca à mercê da comiseração pública. Por que então estes seres tão desgraçados, enquanto que a seu lado, sob o mesmo teto, na mesma família, outros são favorecidos sob todos os aspectos ?
Que dizer enfim das crianças que morrem em tenra idade e tendo conhecido da vida apenas os sofrimentos? Problemas que nenhum filósofo pode ainda resolver, anomalias que nenhuma religião pode justificar, e que seriam a negação da bondade, da justiça e da providência de Deus, na hipótese de que a alma fosse criada ao mesmo tempo que o corpo, e que sua sorte estivesse irrevogavelmente fixada após uma residência de alguns instantes sobre a terra. Que fizeram eles, essas almas que acabam de sair das mãos do Criador, para sofrer tanta miséria aqui em baixo, e merecer no porvir uma recompensa ou uma punição qualquer, enquanto ainda não puderam fazer nem bem nem mal?
Entretanto, não é necessário crer que todo sofrimento suportado aqui em baixo seja necessariamente indicação de uma falta determinada ; são, freqüentemente, simples provas escolhidas para acabar sua depuração e acelerar seu adiantamento. Assim a expiação serve sempre de prova, mas a prova não é sempre uma expiação ; mas, provas e expiações, são sempre sinais de uma inferioridade relativa, porque aquele que é perfeito não tem necessidade de ser provado. Um Espírito pode então ter adquirido um certo grau de elevação, mas, querendo avançar ainda, solicita uma missão, uma tarefa a cumprir, da qual, se sair vitorioso, será tanto mais recompensado quanto mais penosa a luta tenha sido. Tais são mais especialmente essas pessoas com instintos naturais bons, de alma elevada, de nobres sentimentos natos que parecem não ter trazido nada de mau de sua existência precedente, e que suportam com uma resignação toda cristã as maiores dores, pedindo a Deus que as suportem sem murmurar. Ao contrário, pode-se considerar como expiações as aflições que excitam murmurações e impelem o homem à revolta contra Deus.

Pode-se ler na questão 957 de O Livro dos Espíritos :

« Quais são, em geral, as conseqüências do suicídio para o estado do Espírito ? »
« As conseqüências do suicídio são muito diversas ; não há penas fixadas, e em todos os casos são sempre relativas às causas que a ele conduziram ; mas uma conseqüência à qual o suicida não pode escapar, é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos : depende das circunstâncias ; alguns expiam sua falta imediatamente, outros em uma nova existência que será pior que aquela da qual interromperam o curso. »
A observação mostra, com efeito, que a situação dos suicidas não é sempre a mesma ; mas há as que são comuns a todos os casos de morte violenta, e que são conseqüência da interrupção brusca da vida. Isso porque, antes de tudo, existe a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que une o Espírito ao corpo, laço esse que está quase sempre com toda sua força no momento em que foi quebrado, enquanto que na morte natural ele se enfraquece gradualmente, e freqüentemente é desatado antes que a vida seja completamente extinta. As conseqüências desse estado de coisas são o prolongamento da perturbação espiritual seguido depois da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz crer ao Espírito que ele ainda está entre o número dos vivos.
A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito que assim se ressente, malgrado os efeitos da decomposição, e passa por uma plena sensação de angústia e de horror, estado esse que pode persistir por um longo tempo e ter a duração do restante da vida que eles acabaram de interromper. Esse efeito não é geral ; mas em alguns casos de suicídio o Espírito não é libertado das conseqüências de sua falta de coragem, e cedo ou tarde expia seu erro de uma maneira ou de outra. É assim que certos Espíritos, que tinham sido muito infelizes sobre a terra, disseram ter sido suicidas em sua existência precedente, e terem sido voluntariamente submetidos a novas provas para tentar suportá-las com mais resignação. Entre alguns é uma espécie de apego à matéria do qual procuram em vão se desembaraçar para se elevar para mundos melhores, mas cujo acesso lhes está interditado ; entre a maior parte está o pesar de haver feito uma coisa inútil, pois disso provaram apenas a decepção.
A religião, a moral e todas as filosofias condenam o suicídio como contrário à lei da natureza ; todos nos dizem em princípio que não se tem o direito de voluntariamente abreviar sua própria vida. Mas por que não se tem esse direito ? Por que não se é livre de dar um termo a seus sofrimentos ? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo daqueles que sucumbiram, que esse ato não seria somente uma falta, uma infração a uma lei moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas sim um ato estúpido, já que nada se ganha, longe disso, muito mais se perde ; isso não é a teoria que nos ensina, são os fatos que são colocados sob os nossos olhos.

Vale anotar:

As vicissitudes da vida têm uma causa justa, que pode estar seja na vida presente, seja nas existências passadas.

Para saber mais:

O Livro dos Espíritos Allan Kardec (2ª parte, cap. VI, Escolha das provas)
O Evangelho Segundo o Espiritismo Allan Kardec (cap. V, Bem aventurados os aflitos)
O Livro dos Espíritos Allan Kardec (4ª parte, cap. I, suicida)
O Céu e o Inferno Allan Kardec (2ª parte, cap. V, Suicidas)

Conversando sobre Suicídio

Autor Desconhecido

Em um mundo onde predomina a valorização do TER em detrimento do SER, onde não há uma idéia bem definida do que esperar depois do fenômeno da morte, o caminho da autodestruição ou seja, do suicídio, parece não apenas aceitável como até mesmo lógico e solucionador, diante de uma perda considerada irreversível.
Em outras culturas, como a dos japoneses, o suicídio é muitas vezes considerado um ato de bravura, como quando os kamikazes direcionaram seus aviões-bomba aos contratorpedeiros americanos em Pearl Harbor, ou um jovem adolescente que se suicida por não ter passado no teste para o 2º grau acreditando ter desonrado o nome e a tradição da sua família, postura essa adotada pela supervalorização da chamada honra que é, como sabemos, filha dileta do orgulho.
O Espiritismo vem, então, esclarecer, trazer luz às reflexões sobre este ato infeliz, que certamente neste instante povoa a atmosfera mental de muitos dos que sofrem em nosso planeta. Basta um de seus Princípios Básicos para apaziguar e trazer um traço de esperança aos corações desamparados: a Pluralidade das Existências, a Reencarnação.
Diante da certeza das vidas sucessivas, o Homem não tem mais o direito de cogitar sobre o impossível, o irreversível, o inatingível. O melhor sempre está por vir. As dificuldades instruem e passam, as virtudes se consolidam e ficam.
No entanto, esta certeza não se adquire como quem decora um texto para um exercício escolar, ou ainda como quem recita uma oração cheia de palavras e vazia de sentimentos. Esta certeza é fruto do raciocínio e do estudo, da vigilância e da perseverança.
A Doutrina dos Espíritos nos traz também a triste notícia daqueles nossos irmãos que pelos mais diversos motivos precipitaram seus processos desencarnatórios: histórias de dor e angústia muitas vezes maiores que as que tinham quando outrora encarnados. A consciência de si mesmo se descortina e esta nudez espiritual é motivo de grandes padecimentos. Diversos irmãos conservam ainda em seus corpos perispirituais as graves conseqüências dos seus atos violentos, que dificultarão deveras as suas próximas oportunidades no mundo material.
Frente a estas verdades incontestes, vamos refletir sobre a nossa própria atitude mental, será que de vez em quando deixamos os nossos pensamentos percorrerem os caminhos da desesperança? Será que nossos comentários algumas vezes pessimistas e outras difamatórios não estão destruindo os sonhos de alguém carente de luz e esclarecimento? Será que a nossa tirania no dia-a-dia para com os desamparados da vida não os está empurrando cada vez mais para o abismo do suicídio?

Reflitamos nisso.

Circunstância Reflexas do Siucídio

Waldehir Bezerra de Almeida
Os problemas acompanham o suicida no além-túmulo.

O suicídio, para muitos estudiosos do assunto, está ligado ao campo social e à psicopatologia e estabelecem, como principais causas a ausência de uma perspectiva de vida, impossibilidade de automanutenção, criminalidade, chantagem, vingança, transtornos de humor (depressão, pânico, ansiedade generalizada etc.), consumo abusivo de drogas e álcool. Quando os suicidas deixam cartas justificando seu ato tresloucado, falam de incredulidade nos homens e em Deus, desânimo para enfrentar os desafios da vida e sua falta de sentido, frustração no amor.

O sociólogo Émile Durkheim (1858-1917), estudando os problemas da personalidade, admitiu que o suicídio tem fundamentos em causas sociais e não individuais. Com base em suas pesquisas, caracterizou três tipos de suicidas:

a) suicida egoísta: aquele que se afasta dos outros seres humanos;
b) suicida altruísta: aquela pessoa que se mata por extrema lealdade a uma causa;
c) suicida anômico: aquele para o qual as crenças e os valores sociais perderam todo o sentido.

Não obstante o valor reconhecido das causas acima apontadas, elas não são suficientes para esclarecer plenamente as razões que levam a criatura a interromper sua existência física em ato de total desobediência ao Criador, pois que uma grande parte dos seres humanos que passa por aquelas circunstâncias não comete o suicídio. Professor Allan Kardec interpelou os Espíritos querendo saber de onde nasce o desgosto da vida conduzindo o homem ao suicídio e obteve a seguinte resposta:

- "Efeito da ociosidade, da falta de fé e, também, da saciedade. Para aquele que usa de suas faculdades com fim útil e de acordo com as suas aptidões naturais, o trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente. Ele lhe suporta as vicissitudes com tanto mais paciência e resignação, quanto obra com o fito da felicidade mais sólida e mais durável que o espera."1 E o Codificador complementa com a sua sabedoria haurida nas fontes espirituais superiores: "A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as idéias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio; ocasionam a covardia moral."2.

Pode-se afirmar, portanto, que a principal causa que leva o homem a cometer tal desatino é o materialismo que faz o homem acreditar que a vida se resume nesta existência, e que sua dor, seja ela física ou moral, cessará com a morte do corpo. O que não é verdade, pois o sofrimento continua no Além-túmulo em forma de tortura.
O Espiritismo, comprovando que o Espírito vive muitas existências pela reencarnação, tem a resposta para muitos desses acontecimentos, estando entre eles a reincidência no auto-aniquilamento, acovardando-se diante da prova que pedira antes de reencarnar. Analisando esse caso, o Mentor Druso cunhou a expressão circunstâncias reflexas para esclarecer que existem situações em que o Espírito no seu processo provacional é tentado a repetir o mesmo erro de outrora. Permita-me o leitor dar aqui alguns esclarecimentos antes de ouvirmos aquele Mentor.
Circunstância é condição de tempo, lugar ou modo que cerca ou acompanha um fato ou uma situação e que lhes é essencial à natureza. É um conjunto de fatores materiais, morais e espirituais que acompanham ou circundam alguém em um determinado momento. Costuma-se dizer que "a ocasião faz o ladrão". Essa ocasião é a circunstância que incita o homem a cometer o furto. Sendo ele moralmente fraco, o cometerá.
Ação reflexa é uma resposta mecânica - involuntária - uniforme e adaptada, do organismo a um estimulo externo ou interno ao próprio organismo. Exemplos: a contração da pupila quando o olho é estimulado pela luz ou a salivação pelo gosto ou pela vista de um alimento. Assim também funciona o nosso psiquismo reagindo positiva ou negativamente frente a um agente indutor. André Luiz cita vários exemplos de agentes da indução que nos levam, muitas vezes a uma ação reflexa: "Uma conversação, essa ou aquela leitura a contemplação de um quadro, a idéia voltada para certo assunto, um espetáculo artístico, uma visita efetuada ou recebida, um conselho ou uma opinião representam agentes de indução, que variam segundo a natureza que lhes é característica, com resultados tanto mais amplos quanto maior se nos faça a fixação mental ao redor deles."3
A circunstância reflexa poderá ser o próprio meio onde o Espírito reencarnou para ser provado na sua má tendência. Ensina Kardec ser necessário que o Espírito ao reencarnar "[...] seja posto num meio onde possa sofrer a prova que pediu. Pois bem! É necessário que haja analogia. Para lutar contra o instinto do roubo, preciso é que se ache em contacto com gente dada à prática de roubar."4
Mas tal circunstância poderá surgir a qualquer momento da nossa nova existência provacional. Tudo estará indo muito bem na vida da criatura, quando, de repente, se encontra ela em meio a uma situação inesperada, contrária a tudo o que até então previra ... É circunstância reflexa a exigir-lhe renúncia, resignação, fé em Deus e paciência ... É o momento da prova máxima que o Espírito na ânsia na¬tural da libertação da consciência solicitou à Misericórdia Divina. Acompanhemos, agora, em resumo, o raciocínio do Mentor Druso.
Um homem comete suicídio aos quarenta anos de idade no corpo físico. Retomando ao mundo espiritual sofre as conseqüências imediatas do seu gesto. Para recompor as células do veículo perispiritual, recebe o prêmio de um corpo carnal devendo passar pela prova extrema da tentação ao suicídio na idade precisa em que o cometera na outra existência. Isso porque - conclui Druso - "[...] as imagens destrutivas, que arquivou em sua mente, se desdobrarão, diante dele, através do fenômeno a que podemos chamar "circunstâncias reflexas", dando azo a recônditos desequilíbrios emocionais que o situarão, logicamente, em contacto com as forças desequilibradas que se lhe ajustam ao temporário modo de ser."5
Diante do que foi dito, não se deve compreender que o Supremo Criador, com sua Lei inexorável, impõe como expiação ao pecador o cometimento do suicídio por ele ter assim agido em outra vida ou ter sido co-responsável pelo suicídio de outrem. Não! Tudo transcorre por efeito lógico de uma causa criada pelo delinqüente à revelia da Lei harmoniosa que rege o Universo. O Espírito que cometera suicídio em outra existência, chega nesta desarmonizado com as Leis divinas, enredado em complexos psíquicos deprimentes e, para se redimir, deverá suportar a tentação da reincidência.
É oportuno lembrar o "não nos deixeis cair em tentações" que Jesus nos pede para repetir na oração Pai Nosso, bem como a imperiosa necessidade de não darmos trégua à nossa reforma íntima, amealhando recursos educativos e renovadores, com ajuda do estudo das coisas divinas e pela prática da fraternidade. Assim, melhores preparados do que chegamos à Terra, com a misericórdia de um novo corpo, estaremos aptos a superar a crise trazida pelas circunstâncias reflexas, não somente para vencer o incitamento ao suicídio, mas também a outros atos contrários às Leis Morais Divinas, que levarão ao encarceramento de nossa consciência.

1 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76. Ed. Rio de Janeiro - RJ: FEB, questão 943. 2 - KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 112. Ed. Rio de janeiro - RJ, capo V, item 16.
3 - XAVIER, Francisco Cândido/VIEIRA, Waldo. Mecanismos da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 1. ed. especial, Rio de Janeiro - RJ: FEB, 2003, capo 12, p. 92.
4 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Edição eletrônica da FEB, questão 260.
5 - XAVIER, Francisco Cândido. Ação e Reação. Pelo Espírito André Luiz. 1. ed. especial, Rio de Janeiro - RJ: FEB, 2003, p. 98-99.

Nota: o autor é professor aposentado e atua no movimento espírita de Brasília-DF.


Artigo publicado na Revista Internacional de Espiritismo - Outubro de 2006

Desgosto pela vida: Suicídio

Germano Serafim
O homem não tem o direito de dispor da própria vida, somente Deus tem este direito. Por isso, o suicídio é uma transgressão da lei natural. Portanto, é importante que saibamos que tirar a própria vida é sempre um ato condenável. Porém, Deus, em sua infinita misericórdia, atenua as suas conseqüências, conforme os casos. Assim, o suicídio involuntário não é imputável a seu autor, pois o louco que o comete não sabe o que faz. Em geral, não há culpabilidade numa ação, se não há a intenção ou a perfeita consciência de que se está praticando o mal.
O suicídio voluntário, por sua vez, pode ter por motivação diferentes circunstâncias. Em seguida, algumas delas serão analisadas pelos espíritos.
O suicídio motivado por desgostar da vida é uma insensatez. O desgosto pela vida que se apodera de alguns indivíduos sem motivos aceitáveis é efeito da ociosidade e da falta de fé, que podem ser frutos da saciedade. O ocioso que se suicida deveria ter se dedicado ao trabalho, porque assim a existência não lhe teria sido tão pesada. O trabalho nada tem de árido e a vida se escoa mais rapidamente para quem usa de seus atributos com fins úteis e de acordo com suas aptidões naturais. Quem ocupa seu tempo suporta as contingências da vida com mais paciência e resignação, ao mesmo tempo que trabalha objetivando a felicidade mais sólida e mais durável que o espera na vida futura.
Por sua vez, o suicida que tem por fim escapar às misérias e às decepções deste mundo é um pobre espírito que não teve a coragem de suportá-las. Deus ajuda os que sofrem e não aos que não têm forças nem coragem. As tribulações da vida são provas ou expiações. Felizes serão os que as suportam sem se queixar, porque serão recompensados e, nestes casos, infelizes serão aqueles que, na sua impiedade, esperam para elas uma saída naquilo que chamam de sorte ou acaso. Esta pode favorecê-los por um instante, mas somente para que mais tarde sintam, e de modo cruel, o vazio dessas palavras. Também o homem que luta com a penúria e que não se mata, mas se deixa morrer de desespero, pode até ser considerado um suicida, mas, apesar disso, terá misericórdia. Não será totalmente absolvido, porque lhe faltaram firmeza e perseverança e não usou de toda sua inteligência para sair das dificuldades. Será muito infeliz se a causa de seu desespero tiver sido o orgulho, isto é, se tratar-se de um daqueles homens em quem o orgulho paralisa os recursos da inteligência, que se envergonham de dever sua existência ao trabalho de suas próprias mãos, preferindo morrer de fome a ser rebaixados do que chamam de sua posição social. A propósito, é necessário que entendamos que há muita grandeza e dignidade em se lutar contra a adversidade, em se enfrentar a crítica de um mundo fútil e egoísta, que só tem boa vontade para aqueles a quem nada falta, os quais nos dão as costas quando deles precisamos. Por outro lado, é bom que saibamos que não deixa de ser uma estupidez sacrificar-se a vida em consideração a um mundo como este, porque ele nem se importará com este nosso ato. Para finalizar este parágrafo, ressalte-se que infelizes também serão os que levam um desgraçado a um ato de desespero, porque responderão por isso como por um homicídio. Aquele que causou um suicídio ou que poderia tê-lo evitado, é considerado mais culpado do que o suicida.
Outra motivação para dar cabo à própria vida é a vergonha por uma má ação. Este suicídio é tão reprovável como aquele provocado pelo desespero. Na verdade, este ato não irá apagar a falta e ainda acrescentará outra. Quando se teve a coragem de praticar o mal, deve-se ter também a coragem de sofrer suas conseqüências. Em todos os casos, Deus é quem julga e pode diminuir o rigor de sua justiça, conforme a causa. Assim é que aquele que comete suicídio, tentando com isso impedir que a vergonha envolva os filhos ou a família, não procede bem. Mas, como acredita que sim, Deus levará em conta a sua intenção, porque trata-se de uma expiação que o suicida impôs a si mesmo. Sua intenção atenua a falta, mas nem por isso ele deixa de ser faltoso, porque quem tira a sua vida para fugir à vergonha de uma má ação, prova que dá mais valor à estima dos homens do que à de Deus, uma vez que retorna à vida espiritual carregado de suas iniqüidades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida carnal. Mas Deus, que se deixa levar mais que os homens pelas súplicas, freqüentemente perdoa o arrependimento sincero e leva em conta nossos esforços no sentido de reparamos nossos erros. Por sua vez, o suicida, com seu ato, nada repara.
O suicídio motivado pela intenção de se chegar mais depressa a uma vida melhor é um enorme erro, e louco o que pensa ser isso possível. Para atingir com mais certeza seu intento, é muito mais produtivo que viva fazendo o bem. Na verdade, ao suicidar-se, retarda sua entrada num mundo melhor e terá que pedir que lhe seja concedido voltar, para concluir a vida que interrompeu sob a influência de uma falsa idéia. Uma falta, qualquer que ela seja, jamais dá acesso ao santuário dos eleitos.
Renunciar à própria vida com a intenção de salvar a de outrem ou de ser útil aos seus semelhantes é mais que meritório aos olhos de Deus, é sublime. Isto porque nossa vida é o bem terreno a que damos o maior valor e, por isso, desistir dela pelo bem de nossos semelhantes não se caracteriza como suicídio, mas como sacrifício, e todo sacrifício que o homem venha a fazer às custas de sua própria felicidade é resultado da prática da caridade. Todavia, não podemos nos esquecer que Deus se opõe a qualquer sacrifício inútil . Assim, ao sacrificar a própria vida, o homem deve refletir sobre se sua vida não será mais útil do que sua morte. Além do mais, Deus não vê com prazer o sacrifício, se for manchado pelo orgulho. Um sacrifício somente é meritório se for desinteressado, e algumas vezes, aqueles que o praticam, têm uma segunda intenção que diminui o valor de seu ato aos olhos de Deus.
Comete suicídio moral o homem que perece como vítima do abuso de paixões que sabe lhe abreviarão o fim, mas às quais não mais consegue resistir, porque se transformaram, pelo hábito, em verdadeiras necessidades físicas. Entende-se que ele, nesses casos, é duplamente culpado, pois nele há falta de coragem e bestialidade, somadas ao esquecimento de Deus. É mais culpado do que aquele que tira a própria vida por desespero, porque tem tempo de refletir sobre seu ato. Diferentemente de quem é vítima do abuso das paixões, quem comete suicídio num instante de desespero vive numa espécie de delírio que se aproxima da loucura. Por isso, o primeiro, mesmo não tendo dado cabo de sua vida de imediato, será muito mais punido, porque as penas são sempre proporcionais à consciência que se tenha das faltas cometidas.
O suicídio voluntário é um erro mesmo quando uma pessoa vê à sua frente uma morte inevitável e terrível. Não se deve abreviar a vida voluntariamente, ainda que se acredite que ela irá durar apenas por mais alguns instantes. É sempre culpado aquele que não aguarda o termo que Deus estabeleceu para sua existência. Isto porque ninguém pode ter a certeza de que, apesar das aparências, este fim tenha realmente chegado, e que um socorro inesperado não possa vir até o último momento. Em suma, abreviar a vida, mesmo que por um instante, será sempre uma insubmissão e falta de resignação diante da vontade de Deus. A conseqüência de tal ato será sempre uma pena proporcional à gravidade da falta e de acordo com as circunstâncias em que ela foi cometida.
A propósito, sabemos que em alguns países mulheres viúvas costumavam deixar-se queimar sobre os corpos de seus maridos. Elas não podem ser consideradas suicidas, porque obedeciam a um preconceito (ou melhor, tradição), e amiúde o faziam mais porque eram forçadas do que pela livre vontade. Mas, mesmo quando agiam espontaneamente, como julgavam cumprir um dever, seu ato não se caracteriza como suicídio. Por ele não devem ter sofrido as conseqüências como suicidas, pois são desculpáveis pela falta de formação moral e pela ignorância em que se encontravam. Esses usos bárbaros e estúpidos desapareceram com o advento da civilização.
Cometem também enorme erro aquelas pessoas que, não se conformando com a perda de entes queridos, se suicidam na esperança de ir juntar-se a eles na vida futura. O resultado é bastante diverso daquilo que esperavam, pois, ao invés de se unirem àqueles a quem amam, acabam por se afastar ainda mais deles. Assim sucede porque Deus não pode recompensar um ato de covardia e nem o insulto que lhe é lançado por não confiarem em sua providência. Essas pessoas pagarão esse instante de loucura com aflições maiores do que as que pensaram abreviar se matando, e não terão, para compensá-las, a satisfação que esperavam de reverem seus entes queridos.
Finalizando, a observação mostra que as conseqüências do suicídio realmente não são sempre as mesmas. Porém, algumas dessas conseqüências são comuns a todos os casos de morte violenta, isto é, aquela em que acontece a interrupção brusca da vida.
De início observa-se a persistência mais prolongada e firme do laço que une o espírito ao corpo. Isto acontece porque este laço está, quase sempre, na plenitude de sua força no momento em que se parte, ao passo que, quando se trata de morte natural, ele se enfraquece gradualmente e, às vezes, chega até a se desfazer antes de a vida se extinguir totalmente no corpo. As conseqüências advindas desse estado de coisas são o prolongamento da perturbação do espírito, seguida da ilusão que o faz acreditar, por um tempo mais ou menos longo, que ele ainda faz parte do mundo dos vivos.
A afinidade que permanece entre o espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o espírito, o qual, contra sua vontade, passa a sentir os efeitos da decomposição, proporcionando-lhe uma sensação plena de angústia e horror. Este estado pode persistir pelo tempo que ainda devia durar a vida que foi interrompida.
Este último efeito não é geral, mas em caso algum o suicida fica livre das conseqüências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, terá que pagar pelo seu erro, de um modo ou outro. Assim é que certos espíritos, informando terem sido muitos infelizes na Terra, esclareceram ser sua desgraça decorrente de um suicídio praticado numa existência anterior e, numa tentativa de suportá-las com maior resignação, haviam se submetido voluntariamente a novas provas.
Em alguns casos de suicídio, nota-se a persistência de uma espécie de apego à matéria, da qual o espírito inutilmente tenta se livrar, a fim de se dirigir a mundos melhores, mas que se tornam inacessíveis a ele. A maior parte dos suicidas sente o remorso por terem praticado um ato inútil, do qual só provam decepções.
A religião, a moral, todas a filosofias condenam o suicídio como contrário à lei natural. Todas nos dizem, em princípio, que não temos o direito de abreviar voluntariamente nossas vidas. Mas por que não nos é dado este direito? Por que não somos livres para pormos um fim em nossos sofrimentos? O Espiritismo pode nos dar a resposta, pois demonstra pelo testemunho dos que sucumbiram pelo suicídio que este ato não se constitui apenas em infração a uma lei moral, consideração que pouco importa a certos indivíduos, mas sim num ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, muito pelo contrário. Assim sendo, não é através da teoria que isto nos é ensinado, mas sim pelos próprios fatos que os espíritos de suicidas expõem sob nossas vistas.
Concluindo, o suicídio traz para o espírito as mais diversas conseqüências, e para ele não há penas previamente determinadas. Observa-se, contudo, que há uma conseqüência inevitável para todos os casos de suicídio: o desapontamento. No mais, a sorte não é a mesma para todos; depende das circunstâncias, isto é, em todos os casos, as penas correspondem sempre às causas que o motivaram. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros em nova existência, que certamente será pior do que aquela cujo curso interromperam.

Publicado no Boletim GEAE Número 408 de 9 de janeiro de 2001

********************************************
Desgosto pela vida provoca suicídio.

Cheyla Toledo Bernardo

As causas mais comuns do suicídio, em todos os tempos, são o desgosto pela vida, as depressões, os insucessos amorosos ou financeiros. Algumas pessoas são levadas a esse ato por desespero, outras chegam a premeditar o fim da própria vida. Todos têm como objetivo fugir das dificuldades deste mundo, passando para um mundo melhor ou simplesmente para o nada.
As religiões sempre se pronunciaram contra esse ato, baseadas no fato de que somente Deus tem o direito de tirar qualquer vida, pois é Ele quem a dá.
A Doutrina Espírita, além de concordar com a opinião acima, prova que o nada não existe, que o indivíduo sobrevive ao túmulo, mostrando-se um poderoso antídoto contra o suicídio. A vida além da morte caracteriza-se pela continuação do homem com todas as suas características: moral, inteligência, angústias, problemas, dores, felicidade. A única coisa que o ser deixa na Terra é o corpo e seus bens materiais. Desta forma, ao tentar fugir de um sofrimento através do suicídio, o espírito percebe que, além de nada ter adiantado, ainda perdeu a oportunidade que tinha de conquistar coisas boas enquanto estava no plano terreno.
Em O Livro dos Espíritos, questões 943 a 957, Kardec formula uma série de perguntas sobre o suicídio aos Espíritos da falange da Verdade. Eles esclarecem que aqueles que chegam ao suicídio são levados pela ociosidade, ignorância e pela falta de fé. Em contrapartida, o trabalho e a religiosidade seriam o remédio para aliviar aqueles que sofrem e pensam em libertar-se deste modo.
O suicídio, sendo uma transgressão da Lei Divina (não matarás), traz sempre uma conseqüência dolorosa para quem o comete, que varia segundo as causas e as intenções que o moveram. Entretanto, Kardec cita algumas conseqüências gerais que o espírito enfrenta ao chegar no além pelas vias do suicídio:

957. Quais são, em geral, as conseqüências do suicido sobre o estado do espírito?
"- As conseqüências do suicídio são as mais diversas. Não há penalidades fixadas e em todos os casos elas são sempre relativas às causas que o produziram. Mas uma conseqüência a que o suicida não pode escapar é o desapontamento. De resto, a sorte não é a mesma para todos, dependendo das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente, outros numa prova numa nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam. ...Há, porém, as que são comuns a todos os casos de morte violenta, as que decorrem da interrupção brusca da vida. É primeiro a persistência mais prolongada e mais tenaz do laço que liga o Espírito e o corpo... As conseqüências desse estado de coisas são o prolongamento da perturbação espírita, seguido da ilusão que, durante um tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda se encontra no número dos vivos. A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que assim ressente, malgrado seu, os efeitos da decomposição, experimentando uma sensação cheia de angústias e horror... Esse efeito não é geral; mas em alguns casos o suicida não se livra das conseqüências da sua falta de coragem e cedo ou tarde expia essa falta.

Quando se destrói o próprio instinto de conservação

Jorge Hessen
Renascer no paraíso fora da Terra. Com esse ideal em mente os 39 membros da seita Heaven"s Gate (Portão do Paraíso), cometeram o maior suicídio coletivo da história dos Estados. Em 1978, na Guiana o pastor americano Jim Jones induziu membros da sua igreja tomarem juntos o fatídico suco de abacaxi repleto de cianureto e mais de novecentas pessoas desencarnaram tragicamente. Em março de l996, em Venâncio Aires, cidade gaúcha de 55 mil habitantes, ganhou notoriedade por um número assustador. A cidade foi a recordista mundial de suicídios.
Em janeiro, na Estância Cerrito, a 65 km de Itaqui, no Rio Grande do Sul, Manoel Antônio Sarmanho Vargas, o último filho vivo do ex-presidente Getúlio Vargas, também resolveu pôr termo à vida exatamente como fez o pai, desferindo um tiro no próprio peito. No ano de l996, Margaux Hemingway, famosa atriz de Hollywood, neta do escritor americano Ernest Hemingway, suicidou-se em sua mansão nos mesmos moldes que o avô.
Pesquisas realizadas em Nova Iorque, por especialistas do jornal Washington Post, revelaram que morrem no mundo 85 milhões de pessoas por ano, isto é: 7 milhões por mês, 240 mil por dia, 10 mil por hora ou, ainda, 165 por minuto e o índice de morte por suicídio e loucura, nesse contexto, era tão assustador e tão elevado quanto o câncer e da arteriosclerose - um verdadeiro flagelo mundial. E são exatamente nos países ricos, em que a ambição e o materialismo se acentuam, onde sobressaem os preconceitos que o número de óbitos por suicídios é maior. A França enfrentou uma onda assustadora de autocídios em fevereiro p.p. que superou as mortes provocadas por acidentes de trânsito e pela AIDS, por isso, organizaram o chamado Dia Nacional de Prevenção do Suicídio. Nesse país o consumo de hipnóticos e tranqüilizantes aumentou em mais de 200 % de uma década para cá. .Atualmente se ingere por ano na pátria de Victor Hugo mais de 75 comprimidos de bezoadiazepina (sonorífero) por pessoa.
Sob o ponto de vista médico e considerada a doença do século XX, responsável por muitos suicídios, a depressão tem preocupado os especialistas. Os psiquiatras estimam que de cada grupo de 100 pessoas 15 tem a probabilidade de desenvolver a depressão. Isso corresponde a aproximadamente 700 milhões de deprimidos na Terra. Patologia essa causada por um distúrbio psicológico com a alteração na produção de substâncias chamadas neurotransmissoras cerebrais como a serotonina, dopamina, noradrenalina etc...
Sob a ótica sociológica o escritor francês Albert Camus no seu livro intitulado O Mito de Sísifo defende a tese que só existe um problema filosófico realmente grave: o suicídio - Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder a questão de filosofia. Que o confirmem os famigerados escritores Artur Shopenhauer na sua pessimista obra As Dores do Mundo, que induz o leitor incauto ao suicídio, e Friederich Nietzsche que afirma em seu livro Assim Falava Zaratustra que orar é vergonhoso.
Emille Durkhein, considerado o Pai da Moderna Sociologia é um dos maiores pesquisadores das teses suicidógenas, afirma que a culpa maior para uma pessoa cometer um ato tão extremo, de vencer ao próprio instinto de conservação é da sociedade que é a grande pressionadora para o homem se matar - é o ser psicológico sendo abatido pelo ser social. A questão 949 do Livro dos Espíritos esclarece a questão quando afirma ser o suicídio resultado da ociosidade, da falta de fé, e geralmente da saciedade. Quando forem abolidos os preconceitos na sociedade não haverá mais suicídios.
A idéia simples que insiste muito à fascinação estonteante, contínua até a subjugação tem levado muito ao suicídio. Emmanuel ensina que o suicídio é como alguém que pula no escuro sobre um precipício de brasas. Após o ato sobrevém ao infeliz a sede, a fome, o frio, o cansaço, a insônia, os irresistíveis desejos carnais , a promiscuidade e as tempestades com constantes inundações de lamas fétidas.
E pura cegueira acharmos que a nossa dor seja maior que a do próximo, há pessoas que sofrem situações muito mais cruéis que a nossa. além do que o avanço tecnológico impõe hoje dar-se valor às coisas sem valor, onde o indivíduo cede ao impacto do contágio social. Adiar dívida significa reencontrá-la mais tarde com juros somados com cobrança sem moratória. Na questão 920 do L dos Espíritos ainda aprendemos que a vida na Terra foi dada como prova e expiação e depende do próprio homem lutar com unhas e dentes para ser feliz o quanto puder amenizando as suas dores com amor.

UMA REFLEXÃO SOBRE O SUICÍDIO

Refletindo sobre a questão 945 do Livro dos Espíritos "Que pensar do suicídio que tem por causa o desgosto da vida?" Os Espíritos responderam Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes seria uma carga!
Sabemos que o suicida, além de sofrer no mundo espiritual as dolorosas conseqüências de seu gesto impensado de revolta diante das leis da vida, ainda renascera com todas as seqüelas físicas daí resultantes, e terá que arrostar novamente a mesma situação-provacional que a sua flácida fé e distanciamento de Deus não lhe permitiu o êxito existencial.
È preciso ter calma para viver, até porque não há tormentos e problemas que durem para sempre. Recordemos que Jesus nos assegurou que " Pai não dá fardos mais pesados que os ombros" e "aquele que perseverar até o fim, será salvo".
O suicídio é a mais desastrada maneira de fugir das provas ou expiações pelas quais devemos passar. É uma porta falsa em que o indívíduo, julgando libertar-se de seus males, precipita-se em situação muito pior. Arrojado violentamente para o Além-túmulo, em plena vitalidade física, revive, intermitentemente, por muito tempo, os acicates consciências e sensações dos derradeiro instantes, e fica submerso em regiões de penumbras onde seus tormentos serão importantes, para o sacrossanto aprendizado, flexibilizando-o e credenciando-o a respeitar a vida com mais empenho.
A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas asseveram, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Entretanto, por que 'não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de pôr termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos Indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as vistas."
Não há como falar do assunto sem evocarmos o Sociólogo Êmile Durkheim, que afirma existirem homens capazes de resistir a desgraças horríveis enquanto outros se suicidam depois de aborrecimentos ligeiros. Seria importante investigar a causa desta resistência diversa e o que contribui para essa estrutura maior ou menor. Interessante anotar que é nas épocas em que a vida é menos dura que as pessoas a abandonam com mais facilidade.
Considerada a doença do século, responsável por muitos dos suicídios, a depressão tem preocupado os especialistas. Os psiquiatras estimam que de cada grupo de 100 pessoas 15 tem a probabilidade de desenvolver a depressão. É um distúrbio que ocorre por causa da alteração de substâncias como a serotonina e a noradrenalina. O quadro depressivo é gerado por mudanças na produção e utilização dos neurotransmissores cerebrais (noradrenalina, interferona, serotonina e dopamina). Quando sua produção ou forma de produção se altera pode gerar a depressão e daí para o suicídio é uma porta escancarada.
E o suicida é, antes de tudo, o deprimido, e a depressão é a doença da modernidade. O suicida não quer matar a si próprio mas alguma coisa que carrega dentro de si e que sinteticamente pode ser: a) sentimento de culpa e b) a vontade de querer matar alguém com quem se identifica. Como as restrições morais o impedem, ele acaba se autodestruindo. Assim "o suicida mata uma outra pessoa que vive dentro dele e que o incomoda profundamente".
Modelo terapêutico psiquiátrico-espírita que o Professor Pedro de Oliveira Mundim apresentou em Mesa-Redonda no I Forum Brasileiro de Medicina da Pessoa, Presidente Prudente, São Paulo, em 18-10-1980. Assim, a obsessão poderia ser definida como um constrangimento que um indivíduo, suicida em potencial ou não, sente, graças à presença perturbadora de um ser espiritual. Vale a pena ler a descrição feita por Allan Kardec, em "O Livro dos Médiuns".
Diversas são as obras que comentam o assunto, assim temos como exemplo "O Martírio dos Suicidas", de Almerindo Martins de Castro, e "Memórias de um Suicida", de Yvonne A. Pereira. Por outro lado não podemos esquecer que Allan Kardec, no livro "O Céu e o Inferno" ou "A Justiça Divina segundo o Espiritismo", deixa enorme contribuição em exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à, vida espiritual e especificamente no capítulo V da segunda parte, onde aborda a questão dos suicidas.
É verdade que após a desencarnação, não há tribunal nem Juízes para condenar o espírito, ainda que seja o mais culpado. Fica ele simplesmente diante da própria consciência, nu perante si mesmo e todos os demais, pois nada pode ser escondido no mundo espiritual, tendo o indivíduo de enfrentar suas próprias criações mentais.

Suicídio, fruto do desconhecimento

Lauro F. Carvalho
O suicídio é um mal individual-social que tanto choca e traumatiza, e que aumenta sobremodo nas situações de crise. O que pensar disso quando se considera que a crise econômico-financeira e político-social em que, mais uma vez, nos debatemos, em nosso País, apresenta-se, igualmente, em menor ou maior escala, pelo mundo todo?
Tem aumentado muito o número de suicídios nos últimos meses. Só em Brasília, chega ao assustador número de 30 os casos ocorridos, só neste começo de ano, incluindo os cometidos em circunstâncias espetaculares, com a visível intenção de chocar, como um último, desesperado e nem sempre tão eficiente brado contra as dificuldades ou dores que os seus protagonistas experimentam.

Quais são as causas do suicídio? Não é difícil listar:
- Ruínas financeiras;
- Vergonha e desonra;
- Desilusões amorosas;
- Doenças surgidas, do corpo e da mente;
- Depressão, solidão;
- Medo do futuro, de fatos sabidos ou imaginados.

Mas, se analisarmos em maior profundidade essas principais razões do tresloucado gesto, veremos, também sem dificuldade, que não são fatos e ocorrências, em si, que devem ser responsabilizados pela consumação do autocídio, sim a repercussão deles na pessoa. O que leva ao desespero não é o fato desditoso, mas a maneira como a pessoa o elabora. Prova disso é que inúmeras pessoas estão, por toda parte, suportando fardos bem mais pesados que os que levam tantos ao suicídio e nem se crêem tão infelizes assim. Na verdade, correspondendo aos itens acima, que desencadeiam os atos extremos, dentre os quais o crime e o suicídio, poderíamos listar outros que se referem não aos acontecimentos externos, mas às reações subjetivas perante eles:

- Orgulho pessoal, que se recusa a admitir o fracasso e a repentina ou gradual mudança do padrão de vida;

- Amor próprio exacerbado, que faz acreditar que sua imagem não possa sofrer nenhum arranhão ou ferimento, que o tempo e o esforço não possam recompor;

- Excessivo apego à matéria e esquecimento dos "exercícios da alma", expondo-se à sensação de derrocada, do "tudo acabado", quando um mal físico ou perda emocional cega a pessoa para os caminhos da reabilitação, ainda quando trabalhosos e longos.

Em suma, a verdadeira causa do suicídio não está nas ocorrências infelizes, mas na maneira como a pessoa capitula diante delas, por uma simples questão de livre arbítrio mal dirigido.
Dizem os Espíritos Superiores, conforme se vê no capítulo V, 14 a 17 de O Evangelho segundo o Espiritismo, que em última análise, a maior causa do suicídio vem a ser a covardia moral. De fato, a falta de coragem para enfrentar, altaneiramente, os revezes da vida é o que se vê em praticamente todos os casos de suicídio. Daí se conclui que o fator religioso, bem compreendido e exercido, constitui poderosa profilaxia do suicídio.
É preciso notar, ainda, que a ignorância quanto à vida futura é uma das razões por que tanta gente se lança ao desconhecido do além, não raro alimentando idéias distorcidas, como até mesmo de abreviar a entrada num paraíso que se julgue merecedora. O ser humano - individual e coletivamente - assume pesada responsabilidade, perante o Senhor da Vida, pelo seu marasmo em explorar e procurar conhecer, decididamente, a realidade do além-túmulo, as leis que regem o destino das almas, após a transição para esse outro plano vibratório.
É verdadeiramente incompreensível como o homem do final do século XX tenha chegado a tão notável conhecimento de tudo quanto o cerca, no mundo exterior, do micro e do macrocosmo, da delicada informática às potentes tecnologias de domínio das grandes energias de que se vale, não raro irresponsavelmente e, no entanto, tenha se conservado tão ignorante quanto ao mundo exterior de si mesmo.
Salvo as honrosas exceções de alguns povos mais voltados para o espiritual, esse analfabetismo das coisas da alma e a conseqüente falta de instrução às massas, constitui, inegavelmente, uma das causas de quantos se arrojam, imprudentemente, ao poço escuro do suicídio.
A Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, revela com segurança a natureza espiritual do homem, demonstrando que a vida física não é mais que breve estágio de espíritos mortais, em trânsito pela matéria; explicando as condições felizes ou desditosas de nossa sobrevivência, no além, segundo os nossos atos, certamente é uma das forças que coíbem o suicídio, haja vista o pequeníssimo número de espíritas que se matam. Porque eles sabem ser o auto-extermínio um dos mais graves erros que o espírito encarnado comete, perante o grande Doador da Vida, nesta efêmera existência, que mais não é que simples capítulo, mais ou menos emocionante, da grande novela da evolução que estamos vivendo!
Do artigo: Libertação
Jornal Mundo Espírita de Junho de 1997

Suicídio: Causas e Consequências

Fundação André Luiz
Allan Kardec no livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo" capítulo 5º diz que "a calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio".
A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas, são os maiores incentivadores do suicídio: elas produzem a frouxidão moral.
Dr. Jorge Andréa no livro "Enfoques Científicos na Doutrina Espírita" abordando essa mesma temática tece as seguintes considerações.
"O homem moderno materializou-se, exaltando a deusa - máquina e o deus técnica, não percebendo a fragilidade desses totens de barro. O deus em que confiou e acreditou esboroou-se ao menor dos ventos. Não acontecendo o mesmo com aqueles que asseguram os seus alicerces psicológicos - emocionais numa ética valorosa que o espiritualismo pode oferecer; e mais ainda, numa fé lógica, harmoniosa e inteligível por ser raciocinada , aos que se acercam do estofo dinâmico que caracteriza a Doutrina Espírita. O suicídio , como resultado de um imenso desequilíbrio emocional poderá ser um ato voluntário, porquanto existem outros fatores que concorrem para um suicídio lento despercebido e por isso, considerado involuntário, ou seja, suicídio consciente e inconsciente.
As conseqüências são dolorosas. Não morrerão, ninguém se destrói ante a morte.
Há, sem dúvida, agravantes e atenuantes, no exame do suicídio. Eliminam, no mundo espiritual com muito sofrimento o ônus da atitude desequilibrante e quando retornarem à Terra em novas reencarnações terão que passar, por expiações aflitivas.
Joanna de Ângelis no livro "Após a Tempestade" nos fala dessas conseqüências: aqueles que esfacelam o crânio, reencarnam com a idiotia, surdez-mudez, conforme a parte do cérebro afetada, os que tentaram o enforcamento, reaparecem, com os processos da paraplegia infantil; os afogados com enfisema pulmonar, tiros no coração, cardiopatias congênitas irreversíveis, os que se utilizam de tóxicos e venenos, sofrem sob o tormento das deformações congênitas, úlceras gástricas e cânceres. É Joanna ainda que nos diz:

-"Espera pelo amanhã, quando o teu dia se te apresente sombrio e apavorante. Se te parecem insuportáveis as dores, lembra-te de Jesus, ora, aguarda e confia". Lembremo-nos de Kardec quando coloca no "Evangelho Segundo o Espiritismo" - "Com o Espiritismo a dúvida não sendo mais permitida, modifica-se a visão da vida".

Bibliografia

1.Kardec, Allan - Evangelho Segundo o Espiritismo
2.Andréa, Jorge - Enfoques Científicos na Doutrina Espírita
3.Angelis, Joanna de - Após a tempestade - psic. De Divaldo Pereira Franco

FONTE: http://www.andreluiz.org.br

Esportes Radicas e Suicídio

Marcelo Villaverde

Uma das páginas que o Google mais indica visitantes para esta minha WebHome é a que contém um pequeno artigo sobre o Suicídio que eu escrevi há alguns anos para a saudosa lista de espiritismo da Summer.
Por causa disso, de vez em quando recebo e-mails de pessoas fazendo perguntas sobre o tema, algumas mensagens até complicadas de responder, uma vez que não conhecemos bem a quem estamos falando (escrevendo). Este fim de semana recebi mais uma destas e por ser uma pergunta mais genérica, posso publicar aqui a minha resposta, quem sabe alguém que passa por aqui também tenha a mesma dúvida. Lembrando que esta é a minha visão pessoal sobre o assunto baseada no que estudei e no que vivenciei, nada mais e nada menos.
Os praticantes de esportes radicais, por exemplo, o páraquedismo, estão praticando o suicídio? O suicídio, como o entendemos, pressupõe que haja a intenção de morrer, ou seja, suicida seria então, de forma sucinta, aquele que desencarna por ato próprio consciênte ou de outrem a seu pedido. No caso dos esportes radicais, sabemos, há grandes riscos envolvidos, mas o praticante não intenciona morrer, ele busca a diversão e o prazer. Outra variável nesta questão seria quando há a morte devido à prática irresponsável, ou seja, sem as precauções ou o preparo necessários, neste caso só analisando a psique do próprio praticante poderíamos responder se esta irresponsabilidade foi pensada visando o auto-aniquilamento ou foi simplesmente fruto da sua imaturidade.
Portanto sempre temos que analisar as intenções e todo o contexto envolvido, e mesmo no caso de suicídios reais, há diversos fatores atenuantes envolvidos, no que tange ao sofrimento pós-morte, pois este ato extremo sempre é o trágico final de um processo difícil de vida onde muitas vezes o suicída silenciosamente vinha sendo arrastado a este ato por outras pessoas (encarnadas ou não).

OPINIÃO LUZ ESPÍRITA: A nossa maneira de interpretar: A prática de esportes radicais é de grande risco e o praticante estando em plena consciência, assume a responsabilidade perante o ato, uma vez que, este sabe das conseqüencias em caso de erros e falhas de equipamento ou qualquer outro tipo de acidente. Desta forma, saltando de grandes alturas, pilotando máquinas velozes, escalando altitudes, etc, o praticante sabe que pode estar indo de encontro à morte, ou seja, o suicídio não intencional.

Grave Flagelo

Orson Peter Carrara
Matéria recente do jornal Folha de S. Paulo (*), destacada com a palavra Violência, indica que no ano de 2000, segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde, morreram 815 mil pessoas em suicídios, 520 mil em assassinatos e 310 mil em conflitos. Ficou claro no próprio título da matéria (*) que suicídio matou mais pessoas que homicídios e guerras, no ano em referência.
Destacamos aos leitores alguns trechos da citada matéria, em transcrições parciais:

"O suicídio é a causa de morte violenta que mais mata no mundo, com um número de vítimas quase equivalente ao de guerras e homicídios somados, de acordo com estudo da Organização Mundial de Saúde (...)"
"(...) a OMS afirma que esse é um problema de saúde pública assim como a Aids e o cigarro (...)" As maiores taxas foram registradas em países do Báltico (1), como a Lituânia e a Letônia. Há também incidência mais elevada em homens e idosos. (...) Na Europa, na Austrália e nos países do leste asiático a taxa de suicídios é cerca de duas vezes superior à de homicídios (...) No Brasil, ao contrário, o total de assassinatos é cerca de seis vezes maior do que o de suicídios.
"(...) As raízes da violência, de acordo com o estudo da OMS, se deve em grande parte ao baixo nível educacional e ao meio doméstico em que vive o indivíduo. (...)"

A Doutrina Espírita tem posição muito clara sobre a grave questão. Em O Livro dos Espíritos, as questões 943 a 957 abordam o assunto com muita propriedade, indicando os equívocos do ato de auto-extermínio e suas desastrosas conseqüências. Também em O Evangelho Segundo o Espiritismo, nos capítulos V (item 14, 29 e 30) e XVIII (item 71), há farto material para reflexões. Porém, é no livro O Céu e o Inferno (capítulos VI e VII da primeira parte e V da segunda parte), que poderemos encontrar ainda mais informações, acrescidas de depoimentos de espíritos que praticaram o suicídio e que, entrevistados em reuniões mediúnicas, puderam manifestar seu enorme desapontamento com a frustrada fuga de uma vida que não se extingue, ao mesmo tempo agravado pelo sofrimento moral, pelo remorso e pela necessidade de reparação perante a própria consciência.

Mas é ainda na Revista Espírita (2) que Allan Kardec produz extraordinárias considerações sobre o tema. Com o título Estatística dos suicídios, de matéria publicada no Siècle (maio de 1862) que comentava sobre o avanço do número de suicídios no país, o Codificador aborda o tema com detalhes de muito interesse para os estudiosos do Espiritismo.
Fazendo uma análise sobre as causas do suicídio, inclusive classificando-os didaticamente para efeito de estudo, e lembra em determinado ponto: "(...) incontestavelmente, há frouxidão em falhar diante das provas da vida, mas há coragem em desafiar as dores e as angústias da morte; estes dois pontos nos parecem encerrar todo o problema do suicídio (..)" Porém, esta aparente coragem diante das angústias da morte em contraste com frouxidão diante das provas leva-nos a analisar a questão sobre outro ponto de vista. Aqui continua o Codificador: "(...) O que é, pois, a vida humana com relação à eternidade, senão menos que um dia? Mas, para aquele que não crê na eternidade, que crê que tudo acaba nele com a vida, e se é acabrunhado pelo desgosto e pelo infortúnio, não lhe vê o fim senão na morte; nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar seus sofrimentos pelo suicídio. A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as idéias materialistas, em uma palavra, são os maiores excitantes ao suicídio: elas dão covardia moral. (...) A propagação das idéias materialistas é, pois, o veneno que inocula, num grande número o pensamento do suicídio, e aqueles que se fazem disso os apóstolos, seguramente, têm sobre si uma terrível responsabilidade (...)"
Ora, é exatamente neste ponto que o Espiritismo vem em socorro ao saneamento das idéias. Além de confirmar e comprovar a realidade da sobrevivência da alma após a morte, a continuidade natural da vida, ele, o Espiritismo, além de trazer o depoimento dos próprios espíritas suicidas (como alerta e farto material para estudo e reflexão), também é força e coragem nas dificuldades pela perspectiva que abre ao raciocínio. Mostrando os objetivos da vida humana, as tribulações naturais se tornam tão efêmeras (pois que compreendidas como passageiras e necessárias), que o conhecimento e propagação das idéias espíritas torna-se verdadeiro benefício social. E isto diminui sensivelmente as causas de desgostos e em conseqüência a disposição ao auto-aniquilamento.

E na mesma Revista Espírita (2) pondera o Codificador: "(...) a certeza de que, abreviando a vida, chega justamente a um resultado diferente daquele que espera alcançar; que se livra de um mal para tê-lo um pior, mais longo e mais terrível, que não reverá, no outro mundo, os objetos de sua afeição, que queria ir reencontrar; de onde a conseqüência de que o suicídio está contra os seus próprios interesses. (...)"
Considere-se ainda os atenuantes como as causas e circunstâncias; considere-se a misericórdia divina, sempre presente e a lei de ação e reação, bem como as oportunidades reencarnatórias que redimem a alma. Porém, o importante nisto tudo é valorizar a popularização da idéia espírita, sempre estimuladora da perseverança, da resignação e especialmente consoladora nas aflições existenciais.
O fato é que o suicídio é grave flagelo social. No socorro a pessoas com disposição ao suicídio está potencial oportunidade de aclaramento das idéias com o esclarecimento trazido pela Doutrina Espírita. Abordar o assunto, vez por outra, trazendo os fundamentos e exemplos das fontes aqui referidas, surge como necessidade permanente. Seja através da oratória, da imprensa, do rádio ou TV. Há sempre aflições à nossa volta, mesmo que não o percebamos, e o conhecimento espírita é socorro providencial.

O estranho mundo dos suicídas

Frederico Francisco
Freqüentemente somos procurados por iniciantes do Espiritismo, para explicações sobre este ou aquele ponto da Doutrina. Tantas são as perguntas, e tão variadas, que nos chegam, até mesmo através de cartas, que chegamos à conclusão de que a dúvida e a desorientação que lavram entre os aprendizes da Terceira Revelação partem do fato de eles ainda não terem percebido que, para nos apossarmos dos seus legítimos ensinamentos, havemos de estabelecer um estudo metódico, parcelado, partindo da base da Doutrina, ou exposição das leis, e não do coroamento, exatamente como o aluno de uma escola iniciará o curso da primeira série e não da quarta ou da quinta.
Desconhecendo a longa série dos clássicos que expuseram as leis transcendentes em que se firmam os valores da mesma Doutrina, não somente nos veremos contornados pela confusão, impossibilitados de um sadio discernimento sobre o assunto, como também o sofisma, tão perigoso em assuntos de Espiritismo, virá em nosso encalço, pois não saberemos raciocinar devidamente, uma vez que só a exposição das leis da Doutrina nos habilitará ao verdadeiro raciocínio.
Procuraremos responder a uma dessas perguntas, de vez que nos chegou através de uma carta, pergunta que nos afligiu profundamente, visto que fere assunto melindroso, dos mais graves que a Doutrina Espírita costuma examinar. A dita pergunta veio acompanhada de interpretações sofismadas, próprias daquele que ainda não se deu ao trabalho de investigar o assunto para deduzir com a segurança da lógica. Pergunta o missivista:

- Um suicida por motivos nobres sofre os mesmos tormentos que os demais suicidas? Não haverá para ele uma misericórdia especial?
E então respondemos:
- De tudo quanto, até hoje, temos estudado, aprendido e observado em torno do suicídio à luz da Doutrina Espírita, nada, absolutamente, nos tem conferido o direito de crer que existam motivos nobres para justificar o suicídio perante as leis de Deus. O que sabemos é que o suicídio é infração às leis de Deus, considerada das mais graves que o ser humano poderia praticar ante o seu Criador. Os próprios Espíritos de suicidas são unânimes em declarar a intensidade dos sofrimentos que experimentam, a amargura da situação em que se agitam, conseqüentes do seu impensado ato. Muitos deles, como o grande escritor Camilo Castelo Branco, que advertiu os homens em termos veementes, em memorável comunicação concedida ao antigo médium Fernando de Lacerda, afirmam que a fome, a desilusão, a pobreza, a desonra, a doença, a cegueira, qualquer situação, por mais angustiosa que seja,, sobre a Terra, ainda seria excelente condição "comparada ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio".

Durante nosso longo tirocínio mediúnico, temos tratado com numerosos Espíritos de suicidas, e todos eles se revelam e se confessam superlativamente desgraçados no Além-Túmulo, lamentando o momento em que sucumbiram. Certamente que não haverá regra geral para a situação dos suicidas. A situação de um desencarnado, como também de um suicida, dependerá até mesmo do gênero de vida que ele levou na Terra, do seu caráter pessoal, das ações praticadas antes de morrer.
Num suicídio violento como, por exemplo, os ocasionados sob as rodas de um trem de ferro, ou outro qualquer veículo, por uma queda de grande altura, pelo fogo, etc., necessariamente haverá traumatismo perispiritual e mental muito mais intenso e doloroso que nos demais. Mas a terrível situação de todos eles se estenderá por uma rede de complexos desorientadores, implicando novas reencarnações que poderão produzir até mesmo enfermidades insolúveis, como a paralisia e a epilepsia, descontroles do sistema nervoso, retardamento mental, etc. Um tiro no ouvido, por exemplo, segundo informações dos próprios Espíritos de suicidas, em alguns casos poderá arrastar à surdez em encarnação posterior; no coração, arrastará a enfermidades indefiníveis no próprio órgão, conseqÜência essa que infelicitará toda uma existência, atormentando-a por indisposições e desequilíbrios insolúveis.
Entretanto, tais conseqüências não decorrerão como castigo enviado por Deus ao infrator, mas como efeito natural de uma causa desarmonizada com as leis da vida e da morte, lei da Criação, portanto. E todo esse acervo de males será da inteira responsabilidade do próprio suicida. Não era esse o seu destino, previsto pelas leis divinas. Mas ele próprio o fabricou, tal como se apresenta, com a infração àquelas leis. E assim sendo, tratando-se, tais sofrimentos, do efeito natural de uma causa desarmonizada com leis invariáveis, qualquer suicida há de suportar os mesmos efeitos, ao passo que estes seguirão seu próprio curso até que causas reacionárias posteriores os anulem.
No caso proposto pelo nosso missivista, poderemos raciocinar, dentro dos ensinamentos revelados pelos Espíritos, que o suicida poderia ser sincero ao supor que seu suicídio se efetivasse por um motivo nobre. Os duelos também são realizados por motivos que os homens supõem honrosos e nobres, assim como as guerras, e ambos são infrações gravíssimas perante as leis divinas. O que um suicida suporia motivo honroso ou nobre, poderia, em verdade, mais não ser do que falso conceito, sofisma, a que se adaptou, resultado dos preconceitos acatados pelos homens como princípios inabaláveis.
A honra espiritual se estriba em pontos bem diversos, porque nos induzirá, acima de tudo, ao respeito das mesmas leis. Mas, sendo o suicida sincero no julgar que motivos honrosos o impeliram ao fato, certamente haverá atenuantes, mas não justificativa ou isenção de responsabilidades. Se assim não fosse, o raciocínio indica que haveria derrogação das próprias leis de harmonia da Criação, o que não se poderá admitir.
Quanto à misericórdia a que esse infrator teria direito como filho de Deus, não se trataria, certamente, de uma "misericórdia especial". A misericórdia de Deus se estende tanto sobre esse suicida como sobre os demais, sem predileções nem protecionismo. Ela se revela no concurso desvelado dos bons Espíritos, que auxiliarão o soerguimento do culpado para a devida reabilitação, infundindo-lhe ânimo e esperança e cercando-o de toda a caridade possível, inclusive com a prece, exatamente como na Terra agimos com os doentes e sofredores a quem socorremos. Estará também na possibilidade de o suicida se reabilitar para si próprio, através de reencarnações futuras, para as duas sociedades, terrena e invisível; as quais escandalizou com o seu gesto, e para as leis de Deus, sem se perder irremissivelmente na condenação espiritual.
De qualquer forma, com atenuantes ou agravantes, o de que nenhum suicida se isentará é da reparação do ato que praticou com o desrespeito às leis da Criação, e uma nova existência o aguardará, certamente em condições mais precárias do que aquela que destruiu, a si mesmo provando a honra espiritual que infringira.
O suicídio é rodeado de complexos e sutilezas imprevisíveis, contornado por situações e conseqüências delicadíssimas, que variam de grau e intensidade diante das circunstâncias. As leis de Deus são profundas e sábias, requerendo de nós outros o máximo equilíbrio para estudá-las e aprendê-las sem alterá-las com os nossos gostos e paixões.
Assim sendo, que fique bem esclarecido que nenhum motivo neste mundo será bastante honroso para justificar o suicídio diante das leis de Deus. O suicida é que poderá ser sincero ao supor tal coisa, daí advindo então atenuantes a seu favor. O melhor mesmo é seguirmos os conselhos dos próprios suicidas que se comunicam com os médiuns: - Que os homens suportem todos os males que lhes advenham da Terra, que suportem fome, desilusões, desonra, doenças, desgraças sob qualquer aspecto, tudo quanto o mundo apresente como sofrimento e martírio, porque tudo isso ainda será preferível ao que de melhor se possa atingir pelos desvios do suicídio. E eles, os Espíritos dos suicidas, são, realmente, os mais credenciados para tratar do assunto.

Revista Reformador de março de 1964
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...