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05 outubro 2015

Enquanto isso, num lugar qualquer da Eternidade...

por H. Thiesen 


- Ei, o que é aquilo?
- O quê?
- Aquela coisa redonda e azul?
- Ah, é uma nave e se chama Terra!
- Hum! Tem tanta gente embarcando! Também quero ir!
- Não dá, você ainda não pode?
- Não posso, por quê?
- Por que você precisa de ajuda! E não é a tua hora, ainda!
- Então, você é meu amigo e me ajuda!
- Não posso, sou teu Anjo da Guarda!
- E quem irá me ajudar?
- Duas pessoas!
- Quando?
- Na hora certa você saberá!
- Por que é assim? Eu quero embarcar na nave!
- Por que as duas pessoas te darão uma cápsula, para poder viver Terra!
- Não entendi...
- Duas pessoas, papai e mamãe, elas te darão um corpo, para usa-lo enquanto estiver na Terra!
- E como eles vão me dar este corpo?
- Através do amor, que existe entre eles!
- E o que fazemos na nave?
- Concertar os nossos defeitos, colocar em prática as nossas virtudes, aprender convivência e ser feliz!
- E como fazemos isso?
- Junto com todos que estão na nave Terra!
- E eles sempre estarão juntos de nós?
- Nem sempre, depende de cada um!
- Como assim?
- Quando embarcamos na nave, alguns embarcam conosco, outros já estão lá. Outros nos acompanharão durante todo o tempo e haverá aqueles que estarão juntos de nós por algum tempo e depois poderão se afastar e juntar-se a outros na nave.
- Tem gente que não gostou, estão desembarcando!
- Não! Apenas chegou o final do passeio para eles! Chegou a hora deles voltarem para cá!
- Que chato, eu quero ficar lá para sempre!
- Não dá! Todos tem um tempo, para ir e voltar! Sempre haverá alguém embarcando e desembarcando! É a vida na Terra!
- Estou tentando entender... Pedimos ajuda para duas pessoas, ganhamos um corpo e embarcamos na nave!
- Isso!
- Algumas pessoas embarcam conosco. Algumas ficam do nosso lado e outras podem não ficar.
- Correto!
- Enquanto estamos na nave, algumas embarcam e outras desembarcam.
- Continue...
- Se vamos para lá, teremos que um dia voltar!
- É assim, você entendeu!
- Mas para que tudo isso? Não é mais fácil ficar por aqui?
- Podemos ficar, ninguém é obrigado a ir. Mas ir lá é um caminho mais curto para a felicidade!
- Como mais curto?
- Na Terra existem algumas coisas que não existe aqui e que nos ensinam a ser mais felizes.
- Explica melhor, está confuso!
- Quando estamos no corpo, nossos defeitos aparecem com mais facilidade e na Terra aparecem oportunidades para que os consertemos e nos livremos deles. Quanto mais defeitos e erros conseguirmos eliminar, mais felizes seremos! Aprendemos muito na Terra!
- Que defeitos? Como fazemos isso?
- Convivendo com os outros, aparece o ódio, o egoismo, a cobiça, a maledicência e tantos outros. Aos poucos começamos a ter paciência, a perdoar, a dar caridade e amar de verdade.
- Será que isso é difícil?
- Difícil não é, mas tem que querer aprender!
- E se não quiser?
- Fica mais difícil! As coisas complicam, se não aprender pelo amor, aprende pela dor!
- Minha cabeça deu voltas agora!
- É simples, vamos para a Terra, a fim de aprender de uma forma fácil, recusando a seguir nossos pensamentos errados, evitando deixar nossos defeitos nos dominarem. Se não for assim, nossos próprios erros e defeitos nos ensinaram, de uma forma mais difícil, sofrendo os efeitos das nossas atitudes.
- Acho que eu sei sobre o que você está falando! "Não faças aos outros, o que não queres que te façam". Não é?
- Perfeito!
- E... "A cada um conforme suas obras". Também?
- Ou resumindo tudo... Amai-vos uns aos outros!
- Se fizermos desse jeito, seremos felizes?
- Sim, é a melhor receita para a felicidade! Mas agora é melhor nós corrermos!
- Correr por que?
- Teu papai e tua mamãe, aceitaram te ajudar!

04 setembro 2015

Viagem ao jardim da vida!

por H. Thiesen 

Imagine-se na frente do seu computador, lendo o blog, um conto, uma mensagem ou uma poesia, que você achou à revelia e que te tocou mais, ou quem sabe ainda, que fez você se sentir um protagonista.
Suas roupas, aquelas mais confortáveis, quando você está em casa ou no seu quarto, somente você, coloque uma música calma, a tua preferida, que te faça lembrar de coisas e momentos felizes, selecione repeat e esqueça do resto.
Relaxe, fique a vontade, numa posição confortável, não pensa mais em nada, esqueça o mundo lá fora, eu vou te levar a uma viagem e iremos juntos, embarque comigo... agora!
Leia com calma e sem pressa, ou deixe para ler quando tiver mais tempo.
Concentre-se no que eu irei te dizer. Você é o protagonista!
Respire fundo, sinta a sua respiração, o ar entrando e saindo dos seus pulmões. Solte os ombros, permita-se esmaecer todos os músculos do seu corpo. Tente sentir as batidas do teu coração, ou sentir o sangue circulando pelo teu corpo. Procure notar as boas energias que estão a tua volta. Não importa onde você vive, na cidade, num bairro afastado, no interior, no meio da agitação ou na calmaria. O teu mundo agora, está em volta de você, se resumo apenas ao que você consegue ver e tocar.
A tua frente existe uma porta, imagine que ela é um portão para a felicidade, comece a sonhar e vá até ela!
Abra-a... e atravesse-a!
Existe uma escada, comece a desce-la. Conte os degraus!
Um... você está começando a viagem. 
Dois... já notou como esta escada é linda?
Três... os degraus são brancos e brilhantes
Quatro... os corrimãos dourados, segure-se nele! 
Cinco... paciência e calma, não apresse as coisas!
Seis... último degrau, a tua frente existe uma estrada de pedrinhas brancas!
Caminhe por ela, siga-a!
Olhe a natureza!
Há pássaros cantando!
Ruido de água corrente!
Você está num jardim, o jardim dos seus sonhos!
Há árvores, flores, pedras de todas as forma e tamanhos.
Veja! Há um banco bem na tua frente!
Vá até ele, te lembra que eu disse que faríamos a viagem juntos? Estou lá, sentada, te esperando!
Olhe-me, meus cabelos, veja como eu estou vestida, eu prefiro o branco!
Sente-se ao meu lado.
Ah, que pena! Você ainda não relaxou!
Vamos dar um jeito nisso, eu te faço uma massagem nos ombros! Respire bem fundo!
Sinta as minhas mãos, passando de leve!
Pelos teus ombros...
Pelo pescoço...
A nuca...
Os cabelos...
Vou sentar do teu lado!
Aproveite, eu tenho um ombro, se quiser recoste a tua cabeça e relaxe.
Se preferir deite-se no meu colo, permita-se ao momento!
Eu acaricio os teus cabelos, o teu rosto, teus braços!
Descanse...
Não temos presa nenhuma!
Ouça a natureza do jardim, os pássaros, a água.
Sinta o perfume das flores!
O barulho da brisa nas árvores!
Sinta a paz do jardim!
A harmonia!
A sinfonia perfeita da natureza.
Há pássaros voando!
Borboleta...
Formigas...
Abelhas...
O vento soprando em seu rosto!
Mas, é hora de continuarmos!
Me dê a tua mão nós iremos juntos!
Caminhando de vagar...
Lado a lado...
De mãos dadas!
Ouça o barulhos das pedrinhas sobre os nossos pés.
O vento continua soprando de leve!
Olhe em volta!
Admire o jardim!
Um muro e um portão!
Vamos por ele?
Não! Eu não sei o que existe do lado de lá!
Vamos continuar o caminho!
É mais seguro!
O som da água esta bem mais perto.
Dá para ouvir nitidamente a água correndo!
Chegamos é um pequeno riacho.
A água é cristalina!
A areia é clara!
Há pedras na margem!
Há pedras lá no fundo, enfeitando a areia!
O Sol está brilhando, deixando o riacho mais lindo!
Tire os calçados, pegue-os na mão e molhe os seus pés, eu vou junto!
Sinta a água correr entre eles.
Sinta o carinho da água, o frescor da água corrente.
Chute a água, vejas o pingos.
Eu chutei e te molhei!
Me molhe, chute a água, não me importo!
Vamos brincar! Molhar nossas roupas!
Caminhe comigo, por dentro da água!
Vamos seguir o riacho!
Subir pelas pedras.
Ali adiante tem uma maior!
Vamos sentar mais um pouco!
Molhe a sua mão...
Brinque com a água!
Molhe o rosto!
Lave a tua alma com ela!
O Sol esta se pondo!
Os pássaros estão se recolhendo.
Ouça a algazarra!
Um ao lado do outro nas árvores!
Os grilos acordaram!
Cri, cri, cric, cric!
Vamos, mas vamos pela relva!
Sinta a relva macia em seus pés!
O orvalho na relva está molhando os seus pés!
Caminhe com calma.
Vamos juntos de mãos dadas!
Sentindo o cheiro da noite chegando!
Opa, um espinho!
Eu tiro para você!
Não será um espinho que arruinará um passeio tão lindo!
Olhe, a escada...
Vamos subi-la!
De vagar...
Degrau por degrau!
Um.... leve junto a paz!
Dois... não esqueça da harmonia!
Três... lembre-se sempre da luz do jardim!
Quatro... a natureza é feita de amor, nunca esqueça-se dele!
Cinco... a amizade é o nosso bem mais importante!
Seis... nunca diga "Eu não posso"!
Olhe para trás, o jardim dos teus sonhos é possível!
Faça do teu dia a dia esse jardim.
Retire os espinhos, cure as feridas!
A vida é feita de escolhas, não atravesse portões, se não sabe onde ele vai dar!
Os erros e acertos existem para que tenhamos lições!
Todos os obstáculos existem para serem ultrapassados!
Nunca abaixe a cabeça, perder é normal, desistir é definitivo!
As vezes os caminhos mais fáceis, não são os melhores, podem ter muitos espinhos!
Vire-se novamente e abra a porta!
Ultrapasse-a e deixe-e que ela se feche sozinha nas tuas costas!
Há uma janela na tua frente! Vá até ela!
É o mundo lá fora, com tudo o que ele tem!
Ele pode ser o teu jardim, basta que o veja como uma oportunidade para crescer, para aprender, para viver!
Os obstáculos, os problemas se tornam menores se você tiver coragem, paciência, sabedoria e vontade de vencê-los. Se ele não possuem solução, levante a cabeça, pois solucionados estão!
Os momentos felizes, as vitórias, também existem para aprendermos, para você ser um vencedor!
Não há vitória, sem humildade! O orgulho e o egoísmo, transformam-na em derrotas!
A porta fechou!
Obrigada por me acompanhar no passeio pelo meu jardim, o jardim dos meus sonhos, que também é teu!
Que a paz, a harmonia, a luz e o amor que existe nele, fiquem com você e façam do seu dia um tempo feliz e nos próximos, te inspirem para obter muitas vitórias!

17 janeiro 2013

A Lenda do Umbu


O Umbu é uma árvore de porte, com folhas grandes e largas, que cresce nos campos do Sul do Brasil.
Muitas vezes é uma árvore solitária, erguendo-se única nos descampados do Pampa Rio-Grandense. A árvore por sua postura, atrai as pessoas que passam, os tropeiros, os carreteiros, para descansarem em sua sombra ou fazerem pouso sob a proteção dos seus grandes galhos. O tronco do Umbu é muito grosso, as raízes grandes, saem para fora da terra, a sua sombra é fechada e deixa passar poucos raios de sol, mas ninguém usa a madeira dessa árvore, pois não serve para nada. É farelenta, quebradiça, parece feita de uma casca em cima da outra, quase como as camadas de uma cebola.
Por quê?
No início dos tempos, quando ainda o nosso Planeta estava em formação e começava a evoluir para o que é este mundo hoje, em maio à Criação, Nosso Amado Pai, ao criar cada uma das árvores, perguntava-lhes, o que elas queriam ser na Terra.
A laranjeira, o pessegueiro, a macieira, a pereira e assim por diante, quiseram dar em seus galhos frutos deliciosos, para que pudessem alimentar quem por ventura tivesse fome.
O pau-ferro, o angico, o ipê, o açoita-cavalo, a guajuvira, pediram madeira forte, para pudessem ser usados em construções e dar morada a quem precisasse.
A timbaúva, o cedro, o pinheiro, pediram que tivessem madeiras fortes, mas leves, para que deles fossem construídas canoas e delas se servicem quem precisasse de transporte.
E chegando a vez do umbu, Deus lhe perguntou:
- E tu? Queres também frutos doces ou madeira forte?
- Não, Senhor. Eu quero apenas folhas largas para as dar sombra a quem passar e estiver cansado, depois de caminhar sob o sol forte e uma madeira tão fraca que se quebre ao menor esforço.
As outras árvores passaram a criticá-lo:
- Coisa de preguiçoso!
- Não quer ser útil!
- Esse quer viver na moleza, para que serve uma madeira fraca?
O Amado Pai, Criador de todas as coisas, Bondoso, extremamente Justo, sem se importar com as opiniões alheia, olhou para o umbu e perguntou-lhe:
- A sombra, Eu compreendo! Mas por que uma madeira tão fraca?
- Meu Pai - falou o umbu - porque eu não quero que um dia façam de mim uma cruz, para o martírio de justo.
E Deus deu-lhe então, galhos e folhas, capazes de uma sombra frondosa.
- Lego-lhe uma sombra enorme, para o descanso e pouso dos que passam e de ti nunca será feito uma cruz!

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Nem sempre o que os nosso olhos vêem e o que nossos ouvidos ouvem, são as verdadeiras razões para certas atitudes, não somos sábios suficientes para entender os desígnios do Pai!


De Antonio Augusto Fagundes (do livro Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul)
Adaptação Lena Lopez

06 março 2012

O Velhinho e o Palestrante


Ele era um renomado orador e palestrante, dizia que gostava de passar o que sabia, ensinar o que havia aprendido. Mas infelizmente, era era igual a tantos, que correm atrás da fama e que gostam de ter mais e mais ouvintes, gostava de ser chamado nas Casas Espíritas, para fazer suas palestras.
Havia um velho, de idade muita avançada, que gostava de ouví-lo e por onde ele palestrava, o idoso com todas as suas dificuldades, se dispunha a ir e ouvir o que ele dizia.
Ao final de cada palestra, o palestrante arrumava o seu material, os seus livros e anotação e se dirigia para a porta de saída, com o peito estufado e orgulhoso. O velinho o olhava passar e ele, apesar vê-lo em todas as palestras, sequer o comprimentava.
Passou-se os anos e o palestrante notou que o velhinho havia desaparecido:
- Ora, morreu ou encheu o saco! - pensou o palestrante.
O palestrante, segui seu caminho, orando pelas Casas Espíritas e a cada dia ficava mais famoso pela sua capacidade de explanação e orgulhoso da assistência e audiencia que recebia. Em pouco tempo, recebeu convites para entrevistas em rádios e televisões. Suas palavras iam longe. Já chamavam-no de mestre!
Mas, chegou o seu dia, aquele que determina o fim da missão.
Qual foi a sua surpresa! Ele esperava acordar do outro lado em uma Colonia Espitual, cercado de amigos e feliz, afinal, ele achava que tudo o que fez durante a sua caminhada terrena, havia lhe dado merecimento para receber melhor tratamento.
Ele sentiu-se perdido, sozinho e sem saber o que fazer. Logo o desespero tomou conta do seu espírito e acabou por levavo a escuridão e a cegueira. Caminhava, pensava e sentia-se cada vez mais sozinho. Esqueceu-se de tudo o que aprendeu. Clamava por justiça. Gritava por socorro. Em sua volta somente escuridão. Mas, depois de anos de agonia e sofrimento, ele lembrou de orar. E, fez uma prece.
Sentiu por instantes, seu espírito se aquecer e encontrou um pouco de paz. Lembrou-se então das suas palestras e mais uma vez fez uma prece, a qual retirou de dentro do seu coração.
Ele viu um ponto de luz e caminhou até ele, cada passo sentia sua fé aumentar, precisava chegar e a luz ficava mais forte. De lá veio ao seu encontro um ser luminoso, a sua clarridade cegava-lhe os olhos e ele não podia ver quem era.
Aquele ser luminoso ao alcança-lo, estendeu-lhe a mão e o palestrante a segurou:
- Você? - Perguntou mais uma vez surpreso.
- Sim sou eu, meu amigo! - respondeu-lhe o ser.
- Como? Eu que ensinava e fiz tanto por tanta gente, fiquei nesta situação? E você, somente escutava!
- Ora meu amigo - respondeu o ser iluminado - eu vivia conforme tu me ensinava!

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O grande mestre é aquele que ensina e vive os seus ensinamento!
Se não encontreis um verdadeiro mestre para seguir, converte a ti mesmo em mestre. Em última instância, sejais teu discípulo e teu mestre.

11 novembro 2007

A LENDA DAS JÓIAS

Narra uma antiga lenda árabe, que um rabino, bondoso e dedicado, vivia muito feliz com sua família.Uma esposa admirável e dois filhos queridos.
Certa vez, por compromissos religiosos inadiáveis, o soberano empreendeu longa viagem ausentando-se do lar por vários dias.
No período em que estava ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados.A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor. No entanto, por ser uma mulher forte, sustentada pela fé e pela confiança em Deus, suportou o choque com bravura.
Todavia, uma preocupação lhe vinha a mente: como dar ao esposo a triste notícia? Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca, temia que não suportasse tamanha comoção.
Lembrou-se de fazer uma prece. Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão.Alguns dias depois, num final de tarde, o rabino retornou ao lar. Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos...Ela pediu para que não se preocupasse. Que tomasse o seu banho, e logo depois ela lhe falaria dos moços.
Alguns minutos depois estavam ambos sentados a mesa. Ela lhe perguntou sobre a viagem, e logo ele perguntou novamente pelos filhos. A esposa, numa atitude um tanto embaraçada, respondeu ao marido:
- Deixe os filhos. Primeiro quero que me ajude a resolver um problema que considero grave.O marido, já um pouco preocupado perguntou:
- O que aconteceu? Notei você abatida ! Fale ! Resolveremos juntos, com a ajuda de Deus.- Enquanto você esteve ausente, um amigo nosso visitou-me e deixou duas jóias de valor incalculável, para que as guardasse. São jóias muito preciosas! Jamais vi algo tão belo! O problema é esse ! Ele vem buscá-las e eu não estou disposta a devolvê-las, pois já me afeiçoei a elas.O que você me diz?
- Ora mulher! Não estou entendendo o seu comportamento! Você nunca cultivou vaidades!... Porque isso agora?- É que nunca havia visto jóias assim! São maravilhosas!
Podem até ser, mas não lhe pertencem! Terá que devolvê-las.
- Mas eu não consigo aceitar a idéia de perdê-las! E o rabino respondeu com firmeza: ninguém perde o que não possui. Retê-las equivaleria a roubo!
- Vamos devolvê-las, eu a ajudarei. Faremos isso juntos, hoje mesmo.
- Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade. O tesouro será devolvido. Na verdade isso já foi feito. As jóias preciosas eram nossos filhos. Deus os confiou a nossa guarda, e durante a sua viagem veio buscá-los. Eles se foram...
O rabino compreendeu a mensagem. Abraçou a esposa, e juntos derramaram muitas lágrimas.Quantas vezes tomamos posse de algo que não nos pertence? Talvez nossas vidas fossem muito mais calmas se entendêssemos que tudo que temos foi concedido por Deus...

09 novembro 2007

PERIPATÉTICO



Você sabe o que quer dizer peripatético? E quando você não sabe o que significa uma palavra o que faz: pergunta para quem sabe, consulta o dicionário, finge que sabe?

A maioria de nós, quase sempre, opta pela terceira forma: finge que sabe, fala como quem sabe, mas não pergunta, nem se informa.

Afinal, ninguém deseja que o outro descubra que ele não sabe.

Numa reunião de treinadores voluntários em uma empresa, discutia-se a melhor fórmula de ministrar um curso para 200 funcionários.

Depois de uma explosão de idéias, alguém propôs que se utilizasse um trecho do Sermão da Montanha como tema do evento.

Nesse instante, o professor do grupo que, até então, se mantivera calado, fez a observação:

- Jesus era peripatético.

Um silêncio constrangedor, uma troca de olhares entre os participantes se fez de imediato. Antes que alguém pudesse dizer algo, o professor foi chamado para atender um pedido do Departamento de Recursos Humanos.

Mal ele saiu da sala, as manifestações se fizeram:

- Que comentário de mau gosto! – disse um.

- De absoluta falta de respeito! – falou outro.

Alguém argumentou que talvez o professor tivesse suas razões. Talvez ele fosse ateu e não quisesse misturar religião com treinamento.

- Mas devia respeitar a religiosidade dos outros! – vociferou alguém.

Durante dez minutos, cheios de fúria, os componentes do grupo malharam o professor.

Quando ele retornou, olhares hostis o receberam. Contudo, ele estava tão bem que foi logo dizendo:

- Então, acredito que tenhamos resolvido como fazer o treinamento. Separamos os funcionários em grupos de 20 e cada um de vocês vai fazer a apresentação mais de uma vez.

Alguém ousou falar:

- Professor, veja bem, esse negócio de peripatético...

- É isso mesmo, completou ele. Foi daí que me veio a idéia. Jesus se locomovia para fazer pregações, como os filósofos também faziam, ao orientar seus discípulos. Jesus foi o Mestre dos mestres, portanto a sugestão de usar o Sermão da Montanha foi muito feliz. Teríamos uma bela mensagem moral e o deslocamento físico...

Mas que cara é essa? Peripatético quer dizer "o que ensina caminhando."

Todos se entreolharam, corados de vergonha. Nenhum deles sabia o significado da palavra. Encolhidos, se deram conta que seu orgulho era maior do que a vontade de aprender. Aprender para ensinar.

Teria sido suficiente um deles ter tido a humildade de confessar que desconhecia a palavra. Os demais concordariam e tudo se resolveria com uma simples consulta ao dicionário. Pense nisso.

O fato de todos estarem de acordo a respeito de alguma coisa não transforma o falso em verdadeiro.

Informe-se.

Nunca se esquive do aprendizado, não tenha vergonha de perguntar, indagar, questionar. E pesquise, leia, nunca se permita estacionar na escalada do conhecimento. E, finalmente, lembre: a sabedoria tende a provocar discórdia, mas a ignorância é quase sempre unânime.

Pense de que lado você prefere ficar.



Redação do Momento Espírita

com base em artigo assinado por

Max Gehringer
(contribuição Marilia Moura)
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